Embora o Mato Grosso seja mundialmente reconhecido pelo seu protagonismo nos grãos, o estado consolidou-se como um pilar estratégico da transição energética brasileira. O setor sucroenergético local vive um momento de ajuste e transformação, onde a eficiência tecnológica e a integração com o etanol de milho definem o novo ritmo da produção.
1. Mudanças no Manejo: Tecnologia e Sustentabilidade
O manejo da cana-de-açúcar em Mato Grosso tem passado por uma digitalização profunda. A necessidade de reduzir custos operacionais e mitigar impactos ambientais impulsionou a adoção de tecnologias de aplicação localizada de insumos (como o sistema Weed-it).
- Pulverização de Precisão: Sensores de alta tecnologia permitem que defensivos sejam aplicados apenas onde há presença de plantas daninhas. Resultados recentes em usinas brasileiras demonstram uma redução no uso de herbicidas que pode superar 90%, otimizando o custo de produção e aumentando o controle sustentável.
- Bioestímulo e Produtividade: O foco atual não é apenas o controle químico, mas o uso de bioestimulantes para fortalecer a planta contra pragas (como a broca) e melhorar o aproveitamento de luz entre as entrelinhas, maximizando a produtividade por hectare.
2. Principais Produtores e o Cenário Industrial
O setor em Mato Grosso é marcado pela coexistência de grandes usinas tradicionais e um crescimento exponencial das plantas de etanol de milho, que hoje ditam a velocidade da produção bioenergética estadual.
Entre as unidades que compõem o cenário sucroenergético mato-grossense, destacam-se nomes estratégicos como:
- Atvos (Alto Taquari)
- Barralcool (Barra do Bugres)
- Coprodia (Campo Novo do Parecis)
- Aysú (Sorriso)
- ALD Bioenergia (Nova Marilândia)
- Outras unidades como Bioflex (Poconé) e usinas em regiões como Lambari D’Oeste e Mirassol D’Oeste.
3. O Futuro: A Era da Bioenergia Integrada
O que esperar dos próximos ciclos? Mato Grosso caminha na contramão da estabilidade nacional, apresentando projeções de crescimento robustas para a safra 2026/27.
- Integração Cana-Milho: O diferencial mato-grossense é a “arrancada do milho”. Enquanto a cana mantém um crescimento constante e estável, o etanol de cereais (especialmente o milho) projeta saltos significativos, consolidando o estado como o maior produtor brasileiro neste segmento.
- Segurança Energética e Descarbonização: O futuro aponta para a produção de biocombustíveis voltados para nichos de alta tecnologia, incluindo o combustível sustentável de aviação (SAF) e energia para navegação marítima.
- Desafios Econômicos: Apesar das perspectivas positivas, o setor enfrenta, neste momento, pressões como custos elevados e volatilidade nos preços de ATR (Açúcar Total Recuperável). O setor se prepara para um ajuste no mercado, onde a eficiência operacional será o principal diferencial competitivo.
Nota Estratégica: A expansão de novas plantas industriais em solo mato-grossense e a sofisticação das técnicas de campo reforçam a posição do estado não apenas como celeiro de alimentos, mas como um dos principais hubs de energia renovável da América Latina.




