Quando a tempestade financeira atinge o campo — marcada pela alta dos juros, margens estreitas e a explosão de recuperações judiciais —, a primeira reação de grande parte das empresas do setor é enxugar despesas. E, quase como uma regra não escrita, a tesoura orçamentária atinge primeiro os departamentos de marketing, publicidade e as parcerias de mídia.
No entanto, recuar na comunicação neste exato momento pode ser um erro estratégico fatal. O agronegócio é um setor movido a confiança e relacionamento de longo prazo. Desaparecer da visão do produtor rural quando ele mais precisa de soluções e segurança transmite a mensagem errada e abre um espaço valioso para a concorrência.
“A marca que silencia durante a crise não economiza dinheiro; ela perde o ativo mais caro do mercado: a lembrança do cliente.”
O Paradoxo do Corte de Gastos
Estudos globais sobre o comportamento de marcas durante recessões econômicas (como a clássica pesquisa da McGraw-Hill Research) comprovam que empresas que mantêm ou aumentam seus investimentos em publicidade durante crises apresentam um crescimento de vendas até 256% maior na retomada em comparação àquelas que cortaram a verba.
No agro brasileiro, esse efeito é potencializado. O produtor está cauteloso, não inativo. Ele continua planejando a safra, buscando eficiência e precisando de tecnologia. Se a sua empresa corta a comunicação, ela sai do radar no momento crucial da tomada de decisão.
Para ilustrar o impacto das estratégias, preparamos um comparativo prático:
| Estratégia Adotada | Efeito Imediato na Empresa | Impacto na Retomada do Mercado |
| Corte Total em Mídia | Alívio momentâneo no fluxo de caixa mensal. | Perda de market share, esquecimento da marca e custo altíssimo para reconquistar o cliente. |
| Manutenção Otimizada | Exige realocação inteligente de recursos (foco no regional). | Posicionamento de liderança, transmissão de solidez financeira e fidelização do produtor. |
| Expansão Estratégica | Aumento do investimento aproveitando a saída dos concorrentes. | Domínio de mercado, aquisição de novos clientes a um custo menor e forte crescimento em vendas. |
O Poder Estratégico das Parcerias e da Mídia Regional
O segredo não é gastar mais, mas investir melhor. É aqui que as parcerias comerciais ganham peso de ouro. Em vez de campanhas institucionais dispersas, a tendência agora é o co-marketing e o apoio a veículos de mídia segmentados.
Veículos de comunicação regionais, como os que cobrem intensamente o interior de Mato Grosso e o Centro-Oeste, oferecem um canal direto e qualificado. Associar a sua marca a reportagens técnicas, cobertura de dias de campo e podcasts especializados constrói uma autoridade que a publicidade tradicional dificilmente alcança sozinha. É a entrega de conteúdo de valor ajudando o produtor a atravessar a crise.
A Visão do Especialista: Solidez em Meio à Turbulência
Para entender o comportamento do mercado, a equipe do Mais Nortão conversou com Dr. Carlos Eduardo Lins, especialista em inteligência de mercado e posicionamento de marcas no agronegócio. Diferente de uma entrevista tradicional, pedimos que ele analisasse o cenário de forma direta.
Segundo Lins, o pânico é o pior conselheiro financeiro. “O que vemos hoje são empresas sólidas tomando atitudes de empresas em desespero”, afirma o especialista. “Quando uma indústria de insumos ou uma revenda de máquinas suspende seus anúncios e parcerias, o produtor instintivamente pensa: ‘Se eles não têm dinheiro nem para anunciar, será que terão fôlego para entregar meu pedido? Será que vão honrar a garantia?'”
Ele destaca que o vácuo deixado pelas marcas reativas é rapidamente preenchido. “É matemática pura. Se o seu concorrente sai da mídia, o custo de atenção cai. É a hora perfeita para empresas com visão de médio prazo comprarem essa visibilidade por um preço muito mais acessível e se consolidarem como líderes de categoria.”
Questionado sobre a melhor tática para os próximos meses, o conselho de Lins é enfático quanto à escolha dos parceiros: “Busquem a mídia onde o produtor está. O digital e o regional, as parcerias focadas em transferência de conhecimento técnico. A propaganda pela propaganda morre na crise; o que sobrevive é a comunicação que entrega solução.”
Referências e Dados de Mercado:
- McGraw-Hill Research: Análise de 600 empresas B2B mostrando que a manutenção de publicidade em recessões gera forte vantagem competitiva na retomada.
- Kantar Insights (2024): Relatório sobre marcas resilientes aponta que a lembrança de marca cai em até 40% após seis meses sem campanhas ativas de marketing.




