O ano novo começa com reajuste nas alíquotas fixas do imposto estadual sobre gasolina, diesel e etanol. A “canetada” fiscal é o golpe final em um mercado já pressionado pela falta de etanol e dólar alto.


DATA: 29 de Dezembro de 2025

POR: Redação Economia & Mercado (Atualizado)


O motorista brasileiro não terá trégua na virada do ano. Se o cenário de mercado (entressafra e câmbio) já apontava para uma alta gradual, uma mudança tributária agendada para o dia 1º de janeiro de 2026 transformou a previsão em certeza de preços bem mais salgados nas bombas já na primeira semana do ano.

Além das pressões de mercado já conhecidas, entra em vigor na virada do ano o reajuste das alíquotas fixas (ad rem) do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), decidido pelos estados via Confaz. Este é o fator de impacto mais imediato, pois incide diretamente sobre cada litro vendido a partir da meia-noite de quarta-feira.

O Fator Decisivo: O “Tarifaço” do ICMS em 1º de Janeiro

Desde que o Brasil adotou a cobrança do ICMS em valor fixo por litro (e não mais em porcentagem) para dar estabilidade, os reajustes ocorrem periodicamente. Para 1º de janeiro de 2026, o Confaz definiu novos valores para repor perdas inflacionárias dos estados e aumentar a arrecadação.

Este aumento não depende da Petrobras ou do mercado internacional. É um custo tributário que distribuidoras e postos repassam integralmente e imediatamente ao consumidor final.

O Impacto Estimado do Imposto na Bomba (Média Nacional):


A “Tempestade Perfeita”: Imposto + Entressafra

O grande problema deste início de 2026 é que o aumento do imposto não chega sozinho. Ele se soma às pressões que já estavam encarecendo o produto nas últimas semanas de dezembro:

  1. Entressafra Cínica da Cana: Estamos no pior momento da oferta de etanol. As usinas estão paradas. Isso encarece o etanol hidratado e, por tabela, a gasolina comum (que leva 27% de etanol).

  2. Dólar e Petróleo: O câmbio acima de R$ 5,35 e o petróleo Brent sustentado na casa dos US$ 80 mantêm o custo de importação alto, impedindo qualquer redução de preços nas refinarias da Petrobras.

Resumo da Ópera: O motorista pagará mais caro pelo produto (devido à entressafra) e pagará mais imposto sobre esse produto mais caro a partir do dia 1º.


Impacto Econômico Imediato

O reajuste do ICMS, especialmente sobre o diesel, tem efeito “dominó” instantâneo:


NOVAS Estimativas de Preço na Bomba: Cenário para SP e MT (Pós-ICMS)

Considerando o cenário de mercado do dia 29/12 somado ao impacto tributário do dia 01/01, revisamos as estimativas para a primeira semana de janeiro de 2026. Os valores abaixo refletem o provável repasse integral do imposto mais a pressão de mercado.

Nota: Os valores são médias estimadas para a primeira semana de janeiro. Pode haver variações regionais e promoções pontuais, mas a tendência de piso é de alta.

SÃO PAULO (SP)

Mesmo sendo o maior produtor, SP sentirá forte o impacto da soma “ICMS + Entressafra”. A gasolina deve romper com facilidade a barreira dos R$ 6,20 na média.

Combustível Estimativa Média (1ª Semana Jan/26) Variação vs. Dez/25
Gasolina Comum R$ 6,15 – R$ 6,45 Forte Alta
Etanol Hidratado R$ 4,15 – R$ 4,35 Forte Alta (Inviável ante a gasolina)
Diesel S-10 R$ 6,25 – R$ 6,45 Alta (Impacto direto do ICMS)

MATO GROSSO (MT)

O impacto no Mato Grosso será severo. O estado já possui uma logística cara para gasolina e diesel. O aumento do ICMS sobre o diesel é particularmente preocupante para o início da colheita da safra de soja, encarecendo o frete e o custo operacional das fazendas. A gasolina pode superar os R$ 7,00 em municípios mais afastados da capital.

Combustível Estimativa Média (1ª Semana Jan/26) Variação vs. Dez/25
Gasolina Comum R$ 6,85 – R$ 7,15 Forte Alta (Logística + ICMS + Etanol)
Etanol Hidratado R$ 4,45 – R$ 4,70 Alta (Acompanha mercado + ICMS)
Diesel S-10 R$ 6,85 – R$ 7,10 Forte Alta (Impacto crítico no Agro)

Orientação ao Consumidor

Diante da certeza do aumento tributário na virada do dia 31 para o dia 1º, a recomendação imediata é: encha o tanque antes da virada do ano.

A partir de janeiro, com o novo ICMS em vigor e a entressafra persistindo, não há perspectiva de alívio nos preços até, pelo menos, o mês de abril, quando a nova safra de cana-de-açúcar começar a chegar ao mercado.