O ano de 2025 encerra-se consolidando um novo patamar de preços para o café brasileiro. Enquanto o volume exportado reflete o ciclo bienal negativo do arábica, a receita cambial permanece extraordinária devido à valorização global. O setor vive um momento de “stress máximo” na logística portuária e aguarda com ansiedade as chuvas para definir o tamanho da prometida super safra de 2026.
Ao fechar o ano civil de 2025, o Brasil reafirma sua posição de fiel da balança global de café, mas em um cenário diferente do recorde de volume visto em 2024.
Dados Preliminares de 2025 (Acumulado do Ano): O ano de 2025 foi marcado pelo ciclo de bienalidade negativa para o café Arábica (ano de produção naturalmente menor). No entanto, o desempenho financeiro foi sustentado por preços internacionais que atingiram, no segundo semestre de 2025, os maiores níveis em décadas nas bolsas de Nova York (Arábica) e Londres (Robusta).
Receita Cambial: Estimativas do Cecafé indicam que o Brasil deve fechar 2025 com uma receita muito próxima ou até superior ao recorde de US$ 11 bilhões de 2024, não pelo volume, mas pelo preço médio da saca, que disparou.
Volume Exportado: O volume total deve ficar ligeiramente abaixo das 47 milhões de sacas do ano anterior, refletindo a safra menor de arábica colhida este ano.
O Protagonista Conilon: O café Canéfora (Conilon/Robusta) continuou sendo a estrela em 2025. Com o Vietnã ainda lutando para recuperar sua produção após secas consecutivas, o mundo continuou comprando agressivamente o Robusta brasileiro para compor blends e para a indústria de solúvel.
As notícias que dominam o setor neste fechamento de 2025 não são sobre a fazenda, mas sobre o porto. A situação logística tornou-se crítica.
A “Tempestade Perfeita” nos Portos: Exportadores relatam o pior cenário logístico dos últimos anos. O Porto de Santos, principal escoadouro, opera acima do limite. Os principais problemas relatados nas últimas semanas de 2025 são:
Fretes Marítimos nas Alturas: A retomada do comércio global e conflitos geopolíticos persistentes mantêm os custos de frete em níveis altíssimos, pressionando a margem dos exportadores.
Rolagem de Carga Crônica: A falta de espaço nos navios e os atrasos nas atracações fazem com que cargas de café fiquem paradas nos portos brasileiros por semanas, aguardando o próximo embarque. Isso gera custos extras de armazenagem e multas contratuais por atraso na entrega aos compradores internacionais.
Todos os olhos do mercado global estão voltados para o Brasil em 2026. Será o ano que definirá se os preços globais de café terão um alívio ou se entraremos em uma era de café caro estrutural.
1. A Promessa da Super Safra (Ciclo Positivo): Pela lógica biológica do cafeeiro, 2026 é um ano de ciclo alto (bienalidade positiva) para o Arábica. Teoricamente, o Brasil deveria colher uma safra recorde, com potencial para superar 70 milhões de sacas (somando Arábica e Conilon). Isso seria suficiente para recompor os estoques mundiais.
2. O Fator Climático (O Grande “Se”): A grande dúvida para 2026 reside nas floradas que ocorreram entre setembro e novembro de 2025. O clima foi irregular nas principais regiões produtoras (Sul de Minas e Cerrado).
A Estimativa Realista: Analistas de mercado estão cautelosos. Embora o potencial para 70 milhões de sacas exista, o estresse hídrico sofrido pelas plantas nos últimos dois anos pode limitar esse teto. Uma safra “boa, mas não excelente” em 2026 (entre 65 e 68 milhões de sacas) pode não ser suficiente para derrubar os preços internacionais significativamente, dado o déficit global acumulado.
3. Tendência de Preços para 2026:
Primeiro Semestre: A tendência é de preços ainda muito firmes e voláteis até o início da colheita (maio/junho de 2026), pois o mercado operará com estoques de passagem baixíssimos.
Segundo Semestre: Se a super safra brasileira se confirmar sem problemas climáticos adicionais, espera-se uma correção nos preços (queda) a partir do segundo semestre de 2026. Caso contrário, os preços permanecerão em patamares históricos.
O Brasil fecha 2025 provando sua resiliência ao manter o fluxo de exportações mesmo sob intensa pressão logística e com uma safra menor de arábica. Para 2026, o país carrega a responsabilidade de “salvar” o mercado global de café da escassez. O sucesso dessa missão depende menos da vontade dos produtores e mais da regularidade das chuvas nos próximos meses e da resolução dos nós nos portos nacionais.
Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil): Relatórios mensais de embarques (Dados acumulados até Nov/Dez 2025).
CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento): Levantamentos finais da safra 2025 e primeiras perspectivas para 2026.
USDA (Departamento de Agricultura dos EUA): Relatórios globais de oferta e demanda de café “Coffee: World Markets and Trade” (Edição Dez 2025).
Análises de Mercado: Relatórios de bancos especializados em commodities (ex: Rabobank, Itaú BBA, HedgePoint) com projeções para 2026.
Noticiário Especializado: Cobertura em tempo real de Notícias Agrícolas e Broadcast Agro sobre a situação portuária em Santos.