decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aplicar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros que entram no mercado americano está provocando fortes impactos no agronegócio nacional. A medida, em vigor desde 6 de agosto de 2025, afeta diretamente setores estratégicos e pode gerar prejuízos de até US$ 5,8 bilhões para o Brasil.
Setores mais afetados
Café
- O café brasileiro, principal produto agroexportado para os EUA, enfrenta queda nas encomendas e risco de perda de mercado.
- O país exportou cerca de US$ 14,7 bilhões em café na safra 2024/25, sendo os EUA responsáveis por 16% desse volume.
- A sobretaxa de 50% torna o produto brasileiro menos competitivo frente a origens como Colômbia e Vietnã.
Carne bovina
- A carne bovina resfriada, congelada e enlatada está entre os produtos mais penalizados.
- Estimativas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) apontam perdas de US$ 5,8 bilhões apenas nesse setor.
- O sebo bovino, derivado da indústria da carne, também foi incluído nas tarifas.
Pescados
- A produção de tilápia e outros pescados sofreu retração, especialmente em São Paulo.
- A Abipesca alerta para risco de colapso no setor se não houver apoio governamental.
Setores menos afetados
Alguns produtos escaparam da tarifa cheia e foram incluídos na lista de exceções, pagando apenas 10% de sobretaxa adicional:
- Suco de laranja
- Castanha-do-pará
- Polpa de celulose
- Sisal
- Produtos florestais (madeira e derivados), que continuam sendo os mais exportados para os EUA em volume e valor.
Reação do mercado e alternativas
Apesar da queda de 18,5% nas exportações para os EUA em agosto, o Brasil conseguiu compensar parte das perdas com aumento nas vendas para China (+29,9%), Argentina (+40,3%) e México (+43,8%). A diversificação de mercados está sendo vista como estratégia essencial para mitigar os efeitos do tarifaço.
“O tarifaço escancarou a importância de ampliar parcerias comerciais e reduzir a dependência dos EUA. O agro brasileiro está se reorganizando com agilidade”, afirma Rebeca Lucena, analista do Canal Rural.
Conclusão
O tarifaço de Trump representa um dos maiores desafios comerciais enfrentados pelo agro brasileiro nos últimos anos. Setores como café, carne bovina e pescados estão entre os mais prejudicados, enquanto produtos florestais e suco de laranja mantêm competitividade. A resposta do Brasil tem sido rápida, com foco em novos mercados, diplomacia comercial e apoio institucional.
Para mais detalhes, confira os relatórios completos no G1 sobre o tarifaço, Agrishow Digital e Canal Rural.
