Clima favorece produtividade na Capital do Agro, mas preços pressionados exigem gestão na ponta do lápis para garantir a margem desta safra.
Por Redação Mais Nortão | Dezembro de 2025 (safra srs video)
Quem trafega pelas margens da BR-163 ou adentra as estradas vicinais de Sorriso e região neste início de dezembro tem, aos olhos, um cenário de encher de orgulho. O “tapete verde” tomou conta da paisagem. O desenvolvimento vegetativo da soja está vigoroso, o fechamento das linhas aconteceu no tempo certo e, salvo pontuais exceções, as chuvas têm sido generosas com o Médio-Norte de Mato Grosso.
Do ponto de vista agronômico, a safra 25/26 promete ser cheia. O produtor de Sorriso, como sempre, fez a lição de casa: investiu em semente de ponta, adubação correta e maquinário eficiente. A lavoura está, de fato, bonita.
O Desafio Saiu do Campo e Foi para o Escritório
Se da porteira para dentro a biologia está respondendo, da porteira para fora a economia acende um sinal de alerta. A frase que mais se ouve nas rodas de conversa e nos balcões de negócios da cidade é: “A soja vem forte, mas e a conta?”
O problema reside no descompasso entre o Custo de Produção e o Preço de Venda. Muitos insumos utilizados nesta safra foram adquiridos em momentos de dólar e preços ainda elevados. Agora, com a saca no mercado físico (spot) rodando a casa dos R$ 115,00 a R$ 120,00, a “régua” para cobrir os custos subiu.
Antigamente, colher 60 sacas por hectare era sinônimo de lucro certo. Hoje, dependendo do nível de investimento e arrendamento, essa mesma produtividade pode significar apenas o “empate” ou uma margem de lucro perigosamente estreita.
O Fator Oferta
O que pressiona a calculadora é a velha lei da oferta e demanda. O mundo sabe que o Brasil — e o Mato Grosso especificamente — caminha para uma super safra (estimada em mais de 177 milhões de toneladas no país). Com os estoques globais confortáveis e os EUA também vindo de uma boa colheita, a Bolsa de Chicago (CBOT) não encontra fôlego para grandes altas.
O “prêmio” nos portos também sente o peso da logística que será exigida a partir de janeiro. O comprador sabe que haverá muita soja disponível e joga duro na negociação.
A Estratégia para o Produtor de Sorriso
Para o consultor de mercado ouvido pelo Mais Nortão [Aqui você pode inserir o nome de algum parceiro ou patrocinador se tiver], o momento não é de pânico, mas de gestão cirúrgica:
Olho na Produtividade: Com margem curta, não se pode perder nenhuma saca. O manejo de pragas e doenças agora em dezembro é crucial.
Comercialização Cadenciada: Não aposte todas as fichas em uma alta explosiva do dólar ou de Chicago. Aproveite os “repiques” do mercado para travar custos que ainda estão em aberto.
Eficiência Operacional: Evitar desperdício na colheita e otimizar o frete serão diferenciais na conta final.
Conclusão
Sorriso prova mais uma vez sua vocação para alimentar o mundo. A lavoura bonita enche os olhos e garante o volume. Mas, nesta safra, quem vai garantir o sorriso no rosto do produtor na hora do balanço final não é apenas a chuva, é a calculadora.