Compartilhe este conteúdo:

Seca no Norte de Mato Grosso Ameaça Safrinha de Milho e Pode Impactar Exportações Brasileiras

Data: 26 de junho de 2024
Local: Região Norte de Mato Grosso (Sorriso, Lucas do Rio Verde e Sinop)

A estiagem prolongada no norte de Mato Grosso está colocando em risco a produtividade da segunda safra de milho (safrinha) de 2023/24, com perdas estimadas em até 20% nas principais regiões produtoras. A falta de chuvas nos últimos 60 dias tem prejudicado o desenvolvimento das lavouras, elevando preocupações entre produtores, cooperativas e o mercado internacional, que depende do estado como maior exportador de milho do Brasil.


Impactos na Produção

Segundo a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), municípios como Sorriso, Lucas do Rio Verde e Sinop registram quedas significativas no potencial produtivo. Enquanto a expectativa inicial era de uma colheita de 100 sacas por hectare, algumas áreas agora projetam apenas 80 sacas/ha, com casos pontuais de perdas totais.

  • Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) indicam que cerca de 15% das lavouras já foram comprometidas.

  • Custos elevados: Produtores que irrigam estão enfrentando gastos extras com energia e manutenção, reduzindo margens de lucro.


Preocupações com o Mercado e Exportações

Mato Grosso é responsável por cerca de 30% do milho exportado pelo Brasil, e uma quebra na safra pode:

  • Aumentar os preços domésticos do grão, pressionando a cadeia de proteína animal (frango e suínos).

  • Reduzir a competitividade do milho brasileiro no mercado global, onde EUA e Argentina podem ganhar espaço.

  • Impactar o PIB agropecuário do estado, que já previa crescimento de 5% para 2024.

Fernando Cadore, presidente da Aprosoja-MT, alerta: “Se não houver uma melhora no clima nas próximas semanas, teremos que revisar para baixo nossas projeções de exportação.”


Reação do Governo e Ações Emergenciais

Governo de Mato Grosso anunciou que está monitorando a situação e em diálogo com o Ministério da Agricultura para avaliar possíveis medidas, como:

  • Linhas de crédito emergencial para produtores afetados.

  • Subsídios para irrigação em áreas críticas.

  • Aceleração de licenças para construção de pequenos barramentos de água.

Enquanto isso, a Federação da Agricultura e Pecuária de MT (Famato) recomenda que os agricultores adotem estratégias de mitigação, como rotação de culturas e uso de variedades mais resistentes à seca.


Contexto Climático e Perspectivas

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o norte de MT enfrenta um desvio de -40% na precipitação em relação à média histórica para junho. A La Niña, prevista para se intensificar no segundo semestre, pode agravar a situação, atrasando ainda mais o plantio da próxima safra de soja.

Previsão para julho: Os modelos climáticos indicam chuvas abaixo da média, o que pode prolongar o cenário desfavorável.


Conclusão

A seca no norte de Mato Grosso serve como um alerta para a vulnerabilidade do agronegócio às mudanças climáticas, exigindo investimentos em tecnologia, irrigação e políticas públicas de adaptação. Enquanto isso, o mercado acompanha com apreensão os próximos boletins climáticos, que definirão o real impacto na safra e na economia do estado.


Referências Consultadas:

  1. Aprosoja-MT – Relatório de perdas na safrinha 2023/24 (jun/2024).

  2. Imea – Boletim de produtividade do milho em MT (jun/2024).

  3. Inmet – Dados climáticos históricos e projeções para julho/2024.

  4. Famato – Recomendações técnicas para mitigação de seca.

  5. Ministério da Agricultura – Nota sobre monitoramento de safras.

Post anterior
Próximo post
Edit Template