Se 2025 foi o ano dos recordes absolutos, 2026 chega com um “choque de realidade” climático e produtivo. Os dados mais recentes divulgados neste final de dezembro de 2025, tanto pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) quanto pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), desenham um ano de estabilidade produtiva com viés de baixa em culturas essenciais.
Para o produtor rural, a mensagem dos números é clara: a “gordura” de produtividade gerada pelo clima perfeito de 2025 não se repetirá automaticamente. O foco da porteira para dentro deverá sair da expansão de área para a eficiência de custos.
As estimativas divergem levemente em volume total, mas concordam na tendência de desaceleração.
Visão do IBGE (Levantamento Sistemático – Dez/2025): O instituto trabalha com um cenário mais conservador. A previsão para a safra de 2026 é de 335,7 milhões de toneladas.
Variação: Queda de 3,0% em relação ao consolidado de 2025 (que fechou próximo a 346 milhões de t).
Motivo: A base de comparação de 2025 é excepcionalmente alta. O clima “de laboratório” daquele ano dificilmente se replicará, impactando a produtividade média.
Visão da Conab (3º Levantamento – Safra 25/26): A Conab mantém um otimismo moderado, projetando uma colheita total de 354,4 milhões de toneladas.
Variação: Leve alta de 0,6% sobre o ciclo anterior.
Ponto de Atenção: Mesmo com volume total estável, a Conab alerta para uma queda na produtividade média por hectare (cerca de -2,3%), que só será compensada pela abertura de novas áreas (+3% de área plantada).
SOJA: A Locomotiva Blindada A oleaginosa continua sendo o porto seguro do agro brasileiro.
Projeção: A Conab estima uma produção de 177,1 milhões de toneladas, um crescimento de 3,3%.
Análise: Mesmo com margens apertadas, a liquidez da soja faz com que ela continue ganhando área sobre pastagens degradadas e outras culturas. O plantio em estados como MT e PR já atinge quase 100% da área prevista.
MILHO: O Sinal de Alerta O cereal é o grande responsável pelos números negativos do IBGE.
Projeção: O IBGE prevê uma retração forte, de cerca de 6,8% na produção total. A Conab é menos pessimista, mas ainda aponta queda de 1,5% (aprox. 139 milhões de t).
Análise: O custo de produção elevado e a desvalorização do grão no mercado interno desestimularam o investimento em alta tecnologia para a 2ª safra em algumas regiões.
ARROZ E ALGODÃO
Arroz: Previsão de queda expressiva (entre 8% a 12,5%), motivada pela redução de área e menor rentabilidade frente à soja.
Algodão: O IBGE aponta uma retração de até 11,6% na produção de caroço, um ajuste natural após a superoferta do último ciclo.
Para 2026, a palavra de ordem é Gestão. Com a previsão de uma safra fisicamente menor (ou estável) e custos de insumos ainda impactando o fluxo de caixa, o produtor não poderá contar apenas com o volume para diluir seus custos fixos.
“A queda projetada para 2026 ocorre principalmente porque a régua de 2025 foi colocada muito alta. O produtor deve se preparar para um ano de produtividade ‘normal’, e não excepcional.” — Análise de Mercado (Síntese LSPA).
IBGE – Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA): Prognóstico de Dezembro/2025.
Conab – 3º Levantamento da Safra de Grãos 2025/2026: Publicado em Dezembro/2025.
Agência Brasil: Dados comparativos de área plantada e produtividade média.