Nesta quinta-feira (04/12), movimento convocado por lideranças autônomas registra pontos de concentração isolados em diversas regiões do Brasil. Em Mato Grosso, gargalos na BR-163 já preocupam o setor produtivo.
Por Redação de Economia Atualizado em 04/12/2025 – 11h30
A mobilização nacional convocada por grupos de caminhoneiros autônomos para esta quinta-feira, 4 de dezembro, amanheceu com um cenário de adesão pulverizada pelo território nacional, mas com focos de tensão concentrados em estados estratégicos para o agronegócio, especialmente Mato Grosso.
O movimento, que não conta com o apoio unânime das grandes confederações transportadoras (como a CNT), reivindica principalmente a revisão da política de preços do diesel, o reajuste imediato da tabela mínima de frete e melhores condições de trabalho nas estradas.
Até o final da manhã de hoje, o Ministério da Infraestrutura e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) monitoravam a situação. Segundo balanço preliminar, a maior parte das rodovias federais no Sul e Sudeste opera com fluxo normal ou com manifestações tímidas, restritas a aglomerações em postos de gasolina às margens das vias, sem bloqueio das pistas de rolamento.
Em estados como São Paulo e Minas Gerais, a adesão é considerada baixa. “Há uma insatisfação real com os custos operacionais, mas a categoria está dividida sobre a eficácia de uma greve geral neste momento de fim de ano”, avalia Carlos Alberto Lira, analista de logística.
O governo federal informou que está com liminares judiciais preventivas que impedem o bloqueio total de vias essenciais (interdições), sob pena de multas pesadas para pessoas físicas e jurídicas que obstruírem o tráfego.
Se no restante do país o clima é de normalidade vigiada, em Mato Grosso a situação inspira cuidados. O estado, maior produtor de grãos do país, depende quase exclusivamente do modal rodoviário para o escoamento da produção e recebimento de insumos para a próxima safra.
Desde as primeiras horas da manhã, foram registrados pontos de mobilização na BR-163, a principal artéria logística do estado.
Pontos Críticos: Segundo a concessionária que administra a via e a PRF-MT, há concentrações significativas de caminhoneiros nas regiões de Sinop, Sorriso, Nova Mutum e Rondonópolis.
O que está acontecendo: Até o momento, não há bloqueio total (fechamento de pista). Os manifestantes estão abordando caminhões de carga no sistema “convencimento”, pedindo que os motoristas encostem no acostamento ou entrem em pátios de postos para aderir ao movimento. Veículos de passeio, ônibus e cargas perecíveis ou vivas estão sendo liberados.
Apesar de não haver bloqueio total, a lentidão provocada pelas abordagens já gera reflexos. O setor produtivo de Mato Grosso emitiu nota de preocupação. Em plena preparação para o plantio da safrinha e escoamento dos estoques atuais, qualquer interrupção na BR-163 gera um efeito cascata.
“Um dia parado na 163 significa atraso nos portos do Arco Norte (Miritituba/Santarém) e em Santos. Se o movimento escalar para bloqueios totais, o prejuízo será bilionário e pode afetar o abastecimento de insumos básicos nas cidades do interior do estado”, afirmou um representante do setor agropecuário local, que preferiu não se identificar.
As lideranças do movimento em Mato Grosso afirmam que a intenção é intensificar as paradas ao longo do dia, caso não haja sinalização de diálogo por parte do governo federal.
A PRF em Mato Grosso reforçou o efetivo nos pontos de concentração para garantir a lei de livre circulação e evitar que manifestações pacíficas evoluam para interdições de via. O governo estadual informou que monitora a situação para garantir que não haja desabastecimento de combustíveis e alimentos nas cidades mato-grossenses.