Mato Grosso, o coração agrícola do Brasil, deve grande parte de sua potência no agronegócio à rede de rios que corta o estado, como o Paraguai, Araguaia, Xingu, Juruena e Teles Pires. Esses cursos d’água não são apenas fontes de vida, mas também alicerces econômicos e sociais, impulsionando a agricultura, a pecuária e, especialmente, a agricultura familiar. Com investimentos recentes e tecnologias inovadoras, os rios têm trazido benefícios significativos, particularmente para pequenos produtores, ao garantir irrigação, transporte e sustentabilidade.A Importância dos Rios no AgronegócioOs rios de Mato Grosso desempenham papéis cruciais no agronegócio, que responde por grande parte da economia do estado. Com uma área irrigada atual de 300 mil hectares, estudos apontam que a exploração sustentável dos rios subterrâneos e de superfície pode expandir essa área para até 3 milhões de hectares em uma década, viabilizando até uma terceira safra anual. A irrigação, essencial em um estado que enfrenta altas temperaturas e déficits hídricos, especialmente entre agosto e outubro, permite a produção contínua de culturas como soja, milho e banana, mesmo em períodos de seca.
Além da irrigação, os rios facilitam o transporte de grãos e outros produtos agrícolas por meio de hidrovias, como a do rio Paraguai. Essa logística reduz custos e aumenta a competitividade dos produtos mato-grossenses no mercado nacional e internacional, beneficiando tanto grandes quanto pequenos produtores. A hidrovia Paraguai-Paraná, por exemplo, conecta o estado a portos do Sul do país e à exportação, movimentando milhões de toneladas de grãos anualmente.Benefícios para Pequenos ProdutoresPara os pequenos produtores, os rios são ainda mais vitais. A agricultura familiar, que representa uma parcela significativa da produção de alimentos no estado, depende diretamente da água para cultivos diversificados, como banana, mandioca, hortaliças e cacau. Iniciativas como o programa Solo Vivo, desenvolvido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em parceria com o Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), utilizam os recursos hídricos para recuperar áreas degradadas em assentamentos rurais. Com um investimento de R$ 28,3 milhões, o programa beneficia mais de 700 famílias em 10 municípios, fornecendo análise de solo e insumos para otimizar o uso da água e aumentar a produtividade.
Outro exemplo é o programa MT Produtivo, que distribuiu mais de 991 mil mudas de banana, cacau e café, muitas cultivadas em áreas próximas a rios, onde a irrigação natural ou assistida garante safras robustas. Pequenos produtores, como os da Cooperativa de Produtores Familiares de Várzea Grande (Coopeveg), relatam melhorias significativas na logística e na renda devido ao acesso a equipamentos e assistência técnica que aproveitam os recursos hídricos.
A irrigação inteligente, apoiada por tecnologias como sensores de solo e sistemas de gestão hídrica, também tem transformado a realidade de pequenos agricultores. Essas ferramentas, muitas vezes acessíveis por meio de programas estaduais, permitem o uso eficiente da água dos rios, reduzindo desperdícios e aumentando a produtividade em áreas de até um hectare, onde culturas como a banana podem gerar até R$ 120 mil de renda bruta anual.Sustentabilidade e DesafiosA sustentabilidade é um pilar central do uso dos rios em Mato Grosso. O sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), apoiado pela Embrapa, utiliza a água dos rios de forma controlada para manter solos produtivos sem comprometer a vegetação nativa. Sensores e mapas digitais monitoram áreas próximas aos rios, identificando zonas degradadas e otimizando o uso da água, o que beneficia diretamente pequenos produtores que dependem de práticas agroecológicas.
No entanto, desafios persistem. A redução das chuvas, agravada pelas mudanças climáticas, ameaça a recarga dos rios subterrâneos, essenciais para a irrigação. Além disso, o risco de incêndios no Pantanal e em outras regiões próximas aos rios exige manejo cuidadoso para proteger os recursos hídricos. Programas como o Fundo de Apoio à Agricultura Familiar (Fundaaf), que destinará 4% do Fethab em 2025 para projetos sustentáveis, buscam mitigar esses impactos, promovendo práticas que preservem os rios e apoiem os pequenos produtores.
Impacto Social e EconômicoOs rios de Mato Grosso não apenas sustentam a produção, mas também fortalecem comunidades. Projetos como o Alimentar, que implementa hortas solidárias em áreas irrigadas por rios na Baixada Cuiabana, combatem a insegurança alimentar ao fornecer hortaliças para famílias vulneráveis. Além disso, iniciativas voltadas para comunidades indígenas, como os Tapirapé e Xavante, utilizam os rios para desenvolver cadeias produtivas, como a piscicultura, gerando renda e autonomia.
O investimento de R$ 720 milhões do governo estadual entre 2019 e 2025, aliado a mais de R$ 150 milhões do Mapa, reforça o compromisso com a agricultura familiar. Esses recursos têm permitido a entrega de equipamentos, mudas e assistência técnica, muitos dos quais voltados para o uso eficiente dos rios, beneficiando diretamente pequenos produtores e suas comunidades.
Um Futuro PromissorOs rios de Mato Grosso são mais do que vias d’água; são artérias que conectam o campo à prosperidade. Para os pequenos produtores, eles representam a possibilidade de cultivar com segurança, comercializar com eficiência e viver com dignidade. Com políticas públicas, tecnologia e um olhar atento à sustentabilidade, o estado está transformando seus recursos hídricos em alavancas de inclusão social e crescimento econômico. Como afirmou a secretária de Agricultura Familiar, Andreia Fujioka, “investir nos pequenos produtores é investir na qualidade de vida das comunidades”. Assim, os rios de Mato Grosso seguem fluindo, levando esperança e oportunidades para o coração do agronegócio brasileiro.
