Itabela (BA), 24 de julho de 2025
— Cerca de 340 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam a Estação de Zootecnia do Extremo Sul da Bahia, vinculada à Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), paralisando atividades científicas de relevância internacional.
Motivações da ocupação
Segundo o MST, a ação tem caráter pacífico e busca pressionar o governo federal pela retomada de um acordo que previa a destinação de terras públicas improdutivas para fins de reforma agrária. O acordo envolvia a Ceplac, o Incra, a Secretaria do Patrimônio da União (SPU) e o Ministério do Desenvolvimento Agrário.
A ocupação faz parte da Jornada Nacional de Luta pela Reforma Agrária, que mobilizou cerca de 17 mil pessoas em 22 capitais brasileiras e diversas cidades do interior.
Pesquisas comprometidas
A estação é referência em estudos sobre:
- Mitigação de gases do efeito estufa
- Sequestro de carbono no solo
- Manejo sustentável de pastagens
Ela mantém parcerias com universidades do Brasil, Estados Unidos e Canadá. Com a ocupação, servidores foram impedidos de acessar o local, e houve relatos de cercas cortadas e ligações elétricas irregulares, que causaram curtos-circuitos e danos a equipamentos.
Repercussões e críticas
A paralisação das pesquisas gerou forte reação de entidades do setor agropecuário. A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP) classificou a ocupação como um atentado ao diálogo democrático, alertando para os riscos à segurança jurídica e à imagem internacional do Brasil.
Especialistas apontam que ações como essa podem:
- Desestimular investimentos
- Comprometer a inovação no campo
- Aumentar a instabilidade fundiária
Governo e negociações
Apesar da tensão, representantes do MST foram recebidos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Brasília, onde apresentaram a demanda por um plano de assentamento para 65 mil famílias que vivem em acampamentos há décadas.
