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O Paradoxo de Janeiro em Sorriso: Chuva Garante o Futuro, mas Trava as Máquinas com 30% da Soja Colhida

Por Mais Nortão | 20 de Janeiro de 2026

O produtor rural de Sorriso vive nesta terça-feira (20) um cenário de “olho no padre e outro na missa”. Enquanto as colheitadeiras avançam para superar a marca de 30% da área colhida no município, a formação de uma nova Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) nesta semana impõe um ritmo de “pare e siga” que testa a frieza de quem está no campo.

O Desafio da “Soja Ardida” e o Clima de Hoje

A previsão para esta semana (19 a 23 de janeiro) confirma chuvas frequentes, especialmente no período noturno. Para a agricultura de Sorriso, isso cria um gargalo logístico imediato. As máquinas, que deveriam entrar em campo nas primeiras horas da manhã, estão sendo forçadas a esperar o sol secar a umidade excessiva das vagens para evitar a soja ardida e o desconto na classificação no armazém.

Embora o volume de chuva seja bem-vindo para recompor o lençol freático — essencial para o milho que vem na sequência —, o excesso agora acende o alerta amarelo para a qualidade do grão que já está pronto.

Mercado Travado: O Produtor Segura a Soja

O cenário de 2026 traz uma atipicidade comercial preocupante. Historicamente, nesta época do ano, Sorriso já teria entre 45% a 50% da safra vendida. No entanto, dados de sindicatos e consultorias apontam que, hoje, apenas cerca de 30% a 35% da produção futura foi negociada.

O motivo é matemático: Com os preços atuais testando o limite do custo de produção (o “breakeven”), o produtor optou por não travar vendas antecipadas, apostando em uma reação do mercado ou do dólar. É uma estratégia de risco que pressiona o fluxo de caixa justamente no momento de custear a entrada da safrinha.

A Corrida pela Janela do Milho

O atraso na retirada da soja gera um efeito dominó perigoso. A “janela ideal” para o plantio do milho safrinha em Sorriso e no Médio-Norte começa a se estreitar, com o prazo de segurança se encerrando no final de fevereiro.

Cada dia que a colheitadeira fica parada no barracão esperando a chuva passar é um dia a menos de potencial produtivo para o milho lá na frente. O mercado já monitora a Safrinha 2026 com lupa: se o plantio atrasar demais, a exposição aos riscos climáticos de abril e maio (fim das chuvas) aumenta, o que pode impactar a oferta nacional do cereal.

O Que Esperar?

Para os próximos dias, a palavra de ordem em Sorriso é gestão operacional. O foco está em aproveitar cada janela de sol para tirar a soja do campo com qualidade e liberar área para o milho, garantindo que o “bônus” da chuva de hoje não vire o “ônus” do atraso de amanhã.

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