Campo Verde (MT), 28 de junho de 2025 – Em meio a um período de estiagem mais intensa no cerrado mato-grossense, os produtores de algodão do estado estão adotando tecnologias de irrigação sustentável para garantir a produtividade e reduzir o impacto ambiental. Com a safra 2024/2025 em andamento, o uso de sistemas de gotejamento, captação de água da chuva e reúso de recursos hídricos tem se tornado essencial para manter a competitividade do algodão MT no mercado internacional.
Cenário atual: Seca desafia a cotonicultura
Mato Grosso, maior produtor de algodão do Brasil, enfrenta nos últimos meses uma redução nas chuvas, com volumes 20% abaixo da média histórica para o período, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). A escassez hídrica preocupa os agricultores, já que o algodão é uma cultura sensível à falta de água, especialmente na fase de florescimento e formação das fibras.
Diante desse cenário, produtores estão investindo em sistemas de irrigação por gotejamento, que reduzem o desperdício de água em até 40% em comparação com métodos convencionais. Além disso, propriedades no médio-norte do estado têm implementado reservatórios de captação de água da chuva e estações de tratamento para reutilização em lavouras.
Tecnologia e sustentabilidade a favor da produção
De acordo com a Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (AMPA), cerca de 35% das lavouras do estado já utilizam algum tipo de irrigação eficiente, com expectativa de expansão para 50% até 2026.
-
Sistema de gotejamento subterrâneo: Reduz evaporação e melhora a eficiência no uso da água.
-
Monitoramento por sensores: Equipamentos medem umidade do solo em tempo real, evitando irrigação excessiva.
-
Reúso de água em beneficiadoras: Empresas de descaroçamento de algodão tratam e reaproveitam água em processos industriais.
“A sustentabilidade não é mais uma opção, e sim uma necessidade. O mercado global exige algodão produzido com responsabilidade hídrica, e Mato Grosso está se adaptando”, afirma Alexandre Schenkel, presidente da AMPA.
Impactos na safra 2024/2025
Apesar do clima desafiador, a estimativa é que Mato Grosso mantenha uma produção de 3,5 milhões de toneladas de pluma, consolidando sua liderança nacional. O estado responde por 70% do algodão brasileiro, com grande parte destinado à exportação para países como China, Vietnã e Bangladesh.
Apoio governamental e desafios futuros
O governo estadual anunciou linhas de crédito para financiar a adoção de irrigação sustentável, com juros reduzidos para pequenos e médios produtores. No entanto, especialistas alertam que, se a seca se prolongar, será necessário ampliar políticas de gestão hídrica e investir em infraestrutura de armazenamento.
“A cotonicultura em MT já é referência em produtividade, mas o próximo passo é consolidar a produção com menor pegada hídrica”, diz Letícia Mendes, pesquisadora da Embrapa Algodão.
Conclusão
A adoção de práticas sustentáveis na irrigação do algodão em Mato Grosso demonstra como o agronegócio pode conciliar alta produtividade com preservação ambiental. Enquanto a demanda global por fibras sustentáveis cresce, o estado se posiciona como um exemplo de inovação no campo.
Fonte: AMPA, INMET, Embrapa Algodão e Ministério da Agricultura.
Créditos: Sergio Ricardo I Vasques
Data de publicação: 28/06/2025
