O embate verbal entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente norte-americano Donald Trump ganhou contornos explosivos — e os reflexos já chegaram ao coração do agronegócio brasileiro. Com a previsão de implementação, em agosto, de uma tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras aos Estados Unidos, especialistas alertam para um prejuízo bilionário em questão de semanas.
Exportações em risco imediato
- Carnes, celulose, café, suco de laranja e algodão estão entre os principais produtos brasileiros na mira da tarifa.
- Frigoríficos já iniciaram cortes nas produções voltadas ao mercado norte-americano. Alguns relataram redução de até 40% nas encomendas.
- A Associação Brasileira de Exportadores estima uma perda de até US$ 9,4 bilhões em 12 meses, com impactos já visíveis no terceiro trimestre de 2025.
Reação do Planalto
- Lula classificou o tarifaço como “chantagem imperialista” e prometeu retaliações, incluindo taxações agressivas sobre as big techs americanas que operam no Brasil.
- Apesar das críticas, ele manteve a posição firme: “O Brasil não se ajoelha diante de interesses externos, muito menos de um político que nem ocupa cargo oficial.”
Efeitos internos no agro
- Estados como Mato Grosso, Goiás e Pará, fortemente dependentes do mercado externo, já registram queda nos pedidos de transporte e aumento no desemprego rural.
- A Confederação Nacional da Agricultura projeta redução de até 0,5 ponto percentual no PIB brasileiro caso a crise se prolongue até dezembro.
Alternativas e movimentações
- A diplomacia brasileira acelera acordos com o bloco Mercosul-EFTA e mira parceiros na Ásia e Oriente Médio.
- A China, maior destino dos produtos do agro brasileiro, sinalizou que pode absorver parte da produção redirecionada.
Mercado reage
- O dólar já superou a marca de R$ 6,00, puxado pela instabilidade comercial.
- A Bolsa de Chicago mostra queda acentuada nos contratos futuros de soja brasileira, por temores logísticos e de sobreoferta.
A crise entre Lula e Trump, embora política em essência, pode arrastar consigo a espinha dorsal da economia brasileira. O agronegócio, que respondeu por 24,8% do PIB em 2024, enfrenta o risco de colapso parcial em plena safra.
