IMEA Projeta Safra Recorde de Soja em Mato Grosso: Mais de 50 Milhões de Toneladas com Produtividade 7% Superior
Instituto revisa para cima estimativa da safra 2025/26 com produtividade de 64,73 sc/ha, sinalizando condições favoráveis e eficiência no campo mato-grossense.
- Região: Sinop, Sorriso, Mato Grosso, Brasil
- Atualizado: 2026-02-05
- Janela analisada: últimas 48 horas
Panorama do setor em Sinop, Sorriso e Mato Grosso
Mato Grosso consolida sua posição como celeiro do Brasil. Responsável por 32% da produção nacional de grãos, o estado ultrapassou a marca de 111,9 milhões de toneladas na safra 2024/25 e agora projeta novo recorde na safra de soja 2025/26. Sinop e Sorriso, municípios-chave da região Norte do estado, desempenham papel central nesse resultado: Sorriso figura como a 19ª maior exportadora do Brasil, com vendas externas superiores a US$ 2,6 bilhões anuais, enquanto Sinop registrou saldo positivo de 1.642 novos empregos formais em 2025, reflexo direto da vitalidade do agronegócio regional.
O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), referência técnica em dados do setor, revisou em 3 de fevereiro de 2026 sua estimativa de produtividade da soja para a safra 2025/26. A nova projeção aponta 64,73 sacas por hectare, crescimento de 7% em relação às estimativas anteriores. Com área cultivada mantida em 13 milhões de hectares, a produção estadual deve ultrapassar 50 milhões de toneladas, consolidando Mato Grosso como maior produtor individual de soja do planeta.
Esse desempenho resulta de múltiplos fatores: condições climáticas mais regulares no ciclo vegetativo da cultura, avanços tecnológicos na genética de sementes, adoção crescente de agricultura de precisão e gestão eficiente do calendário agrícola. A colheita da soja, iniciada em janeiro, já alcançava aproximadamente 25% da área plantada no início de fevereiro — ritmo 12,77 pontos percentuais superior ao mesmo período da safra 2024/25 e 12,40 pontos acima da média histórica dos últimos cinco anos. Essa antecipação é estratégica: permite o plantio ágil do milho safrinha dentro da janela ideal, maximizando o aproveitamento da terra e a rentabilidade anual do produtor.
Para empresários, gestores e produtores das regiões de Sinop e Sorriso, compreender esses números não é exercício acadêmico. Trata-se de mapear oportunidades de negócios, ajustar estratégias de comercialização, calibrar investimentos em insumos e tecnologia, e antecipar movimentos de mercado que impactarão diretamente a rentabilidade das próximas safras.
Notícias mais quentes e movimentos recentes
IMEA revisa produtividade para 64,73 sacas por hectare
A revisão divulgada pelo IMEA em 3 de fevereiro representa um dos sinais mais positivos do início de 2026 para o agronegócio mato-grossense. A produtividade projetada de 64,73 sc/ha supera em 7% as estimativas anteriores e aproxima-se das melhores médias históricas do estado. Segundo o instituto, a melhoria reflete principalmente três fatores: distribuição mais equilibrada de chuvas durante o ciclo crítico da cultura (floração e enchimento de grãos), menor incidência de pragas e doenças devido ao manejo integrado, e avanços na escolha de cultivares adaptadas às condições edafoclimáticas regionais. Fonte: Sistema Famato — 03/02/2026
A área cultivada com soja em Mato Grosso mantém-se estável em 13 milhões de hectares, indicando que o crescimento da produção decorre de ganhos de eficiência, não de expansão territorial. Esse dado é relevante do ponto de vista de sustentabilidade e posicionamento de mercado, especialmente diante de pressões internacionais por rastreabilidade e conformidade ambiental. Fonte: Sapicuá — 05/02/2026
Colheita avança 25% com ritmo 12 pontos acima do ano passado
O início de fevereiro marcou a colheita de aproximadamente 25% da área de soja plantada em Mato Grosso. Esse percentual coloca a safra 2025/26 12,77 pontos percentuais à frente do mesmo período da temporada anterior e 12,40 pontos acima da média dos últimos cinco anos. O ritmo acelerado beneficia-se da menor frequência de chuvas em janeiro, que reduziu interrupções nas operações de campo, e da maturação mais uniforme das lavouras. Fonte: Agro MT Notícias — 03/02/2026
Para os produtores de Sinop e Sorriso, a antecipação da colheita não representa apenas conveniência operacional. Ela abre janela estratégica para o plantio do milho safrinha dentro do período recomendado — até meados de março —, reduzindo riscos climáticos (geadas precoces, déficit hídrico no enchimento de grãos) e aumentando a probabilidade de alcançar tetos produtivos. Levantamentos do IMEA confirmam que o plantio do milho de segunda safra já está mais avançado que no ciclo anterior. Fonte: Agrolink — 05/02/2026
Eficiência no campo sustenta avanço da soja em MT
Segundo análise da Revista Cultivar, o mês de fevereiro começou com cerca de 25% das lavouras de soja do Mato Grosso colhidas e aumento de 7% na produtividade média projetada para a atual safra. A publicação destaca que a eficiência operacional — combinação de máquinas modernas, telemetria, mapeamento de lavouras e aplicação localizada de insumos — sustenta o avanço. Produtores que investiram em agricultura de precisão nos últimos três anos reportam ganhos de 8% a 12% na produtividade, além de redução de até 15% nos custos com defensivos e fertilizantes. Fonte: Revista Cultivar — 05/02/2026
China mantém-se como principal destino da soja mato-grossense
Dados do IMEA apresentados a uma comitiva chinesa em visita ao estado em 4 de fevereiro confirmam que, em 2025, as exportações mato-grossenses para a China totalizaram US$$ 12,29 bilhões, consolidando o país asiático como o principal parceiro comercial. A soja respondeu por US$$ 12,71 bilhões do total exportado por Mato Grosso, com a China absorvendo 40,82% das vendas. Durante a reunião, o instituto apresentou panorama atualizado da produção de grãos, proteínas animais e pluma de algodão. Fonte: SBA1 — 04/02/2026
A relação comercial com a China permanece estratégica, mas também exige atenção a sinais de risco. Nos últimos dias, circularam notícias de que a inteligência americana iniciará investigação sobre investimentos chineses no agro brasileiro, o que pode levar a novas restrições. Para produtores e exportadores, diversificar mercados e monitorar movimentos geopolíticos torna-se imperativo de gestão de risco. Fonte: O Globo — 04/02/2026
Indicadores, números e dados oficiais
Produtividade e volume esperado
- Produtividade projetada (IMEA): 64,73 sacas por hectare (+7% vs. estimativa anterior)
- Área plantada: 13 milhões de hectares (estável)
- Produção esperada de soja MT 2025/26: Acima de 50 milhões de toneladas
- Percentual colhido até início de fevereiro: ~25% da área
- Avanço vs. safra anterior: +12,77 pontos percentuais
- Avanço vs. média histórica (5 anos): +12,40 pontos percentuais
Fonte: Sistema Famato — 03/02/2026 | Sapicuá — 05/02/2026 | Notícia Exata — 04/02/2026
Preços e mercado físico
- Soja (indicador ESALQ/B3 — Paranaguá): R$ 124,34/sc em 04/02/2026 (-0,17% no dia)
- Faixa de negociação em MT (início fev/2026): R$$ 128 a R$$ 133/sc, sustentada por demanda exportadora
- Milho (CEPEA): R$ 66,44/sc em 04/02/2026 (estável)
- Relação de troca soja/insumos: Entre as mais desfavoráveis dos últimos 3 anos (preços do grão em queda durante colheita, custos de insumos elevados)
Fonte: Notícias Agrícolas — 04/02/2026 | Estadão Agro — 04/02/2026 | Rosário News — 05/02/2026
Exportações e comércio internacional
- Exportações MT para China (2025): US$ 12,29 bilhões
- Soja (pauta exportação MT): US$ 12,71 bilhões
- Participação da China nas vendas MT: 40,82%
- Sorriso — 19ª maior exportadora do Brasil: >US$ 2,6 bilhões em exportações anuais
- Número de países destino (MT): 164 países receberam 172 produtos mato-grossenses
Fonte: SBA1 — 04/02/2026 | Diário de Cuiabá — 30/01/2026
Emprego e economia local
- Sinop — saldo empregos formais 2025: +1.642 postos (46.600 admissões vs. 44.900 desligamentos)
- Sorriso — participação no PIB municipal (setor agro): ~15%
- MT — crescimento empregos formais 2025: +25% no saldo anual
Fonte: Caravela — 03/02/2026 | Portal RBT News — 03/02/2026
Custos de produção e logística
- Frete de grãos (previsão fevereiro/2026): +20% vs. janeiro, atingindo pico anual (mas inferior ao pico de 2025)
- Entregas de fertilizantes no Brasil (jan-nov/2025): 45,27 milhões de toneladas (+7,8% vs. 2024)
- Expectativa de redução custo fertilizantes (safra 26/27): Até 15% em algumas categorias (não verificado em fontes oficiais)
Principais players e iniciativas locais
IMEA — Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária
O IMEA é a principal fonte de dados técnicos e projeções para o agronegócio mato-grossense. Fundado em 2004, o instituto publica relatórios semanais sobre plantio, desenvolvimento de lavouras, colheita, custos de produção, preços e comercialização de soja, milho, algodão, pecuária e outras cadeias. Seus boletins orientam decisões de produtores, cooperativas, tradings, instituições financeiras e formuladores de políticas públicas. A revisão de 3 de fevereiro de 2026, elevando a produtividade da soja para 64,73 sc/ha, é exemplo da influência do instituto no mercado.
Sistema Famato — Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso
A Famato representa os interesses do setor produtivo mato-grossense em nível estadual e nacional. Atua em articulação política, defesa de pautas setoriais, capacitação técnica e disseminação de informações estratégicas. A entidade divulgou em seu portal oficial a atualização do IMEA sobre a safra 2025/26, reforçando o papel de canal de comunicação entre instituições técnicas e produtores. Fonte: Sistema Famato
Cooperativas e revendas de insumos
Sinop e Sorriso contam com forte presença de cooperativas agrícolas e revendas especializadas. A Frísia Cooperativa, por exemplo, realizou entre 14 e 17 de janeiro de 2026 visitas técnicas a fazendas da região, com foco em ensaios de soja e transferência de tecnologia. A Cresol Mato Grosso inaugurou em 30 de janeiro de 2026 agência em Diamantino, ampliando a oferta de crédito e serviços financeiros ao produtor rural. Fonte: Cresol Notícias — 30/01/2026
Empresas de tecnologia agrícola
A Agrícola Santiago, revenda Master da Jacto, confirmou presença na Norte Show 2026 (21-24 abril em Sinop) com portfólio completo de soluções: pulverizadores tratorizados, drones agrícolas e plataformas de agricultura digital. A empresa oferece mapeamento de lavouras com drones e aplicação localizada de insumos, reduzindo impacto ambiental e aumentando rentabilidade. Fonte: CenárioMT — 05/02/2026
Instituições de pesquisa e ensino
O IFMT — Instituto Federal de Mato Grosso, Campus Sorriso, mantém fazenda experimental com trilha ecológica e ensaios de campo. A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), com campus em Sinop, desenvolve pesquisas em agronomia, zootecnia, engenharia florestal e ciências ambientais, contribuindo para a formação de mão de obra qualificada e geração de conhecimento aplicável ao campo.
Oportunidades, riscos e tendências
Oportunidades
- Janela ideal para safrinha de milho: A antecipação da colheita de soja permite plantio do milho dentro do período recomendado (até meados de março), reduzindo riscos climáticos e aumentando probabilidade de tetos produtivos. Produtores que concluírem o plantio até 15 de março podem projetar produtividades de milho 10% a 15% superiores às médias históricas.
- Demanda internacional sustentada: A China mantém apetite por soja brasileira. Apesar de acordos bilaterais EUA-China (compromisso de compra de soja americana), o volume não atende à demanda total chinesa. Brasil, e especialmente Mato Grosso, seguem como fornecedores preferenciais para o mercado asiático.
- Ganhos de eficiência via tecnologia: Produtores que investirem em agricultura de precisão (sensoriamento remoto, taxa variável de aplicação, telemetria) podem capturar ganhos de produtividade de 8% a 12% e reduzir custos de insumos em até 15%, compensando relação de troca desfavorável.
- Valorização de produtos sustentáveis: Mercados europeus e norte-americanos exigem cada vez mais rastreabilidade e conformidade ambiental. Produtores que adotarem protocolos de sustentabilidade (como certificações RTRS, Soja Plus, Bonsucro) podem acessar prêmios de 5% a 10% sobre cotações convencionais.
- Diversificação de culturas: O gergelim, que saltou 17,3% na produção mato-grossense (246,1 mil t → 288,9 mil t), consolida-se como alternativa de segunda safra para áreas onde a janela do milho está fechada. 99% da produção é destinada à exportação, com margens atrativas. Fonte: CenárioMT — 04/02/2026
Riscos
- Relação de troca soja/insumos desfavorável: Está entre as piores dos últimos três anos. Preços da soja em queda durante a colheita (pressão sazonal de oferta) combinados com custos elevados de fertilizantes, defensivos e combustíveis comprimem margens. Produtores com endividamento elevado enfrentam risco de caixa negativo.
- Gargalos logísticos: Filas de caminhões na BR-163, em Miritituba (PA), devem durar até abril, segundo a Abiove. O congestionamento eleva custos de frete e tempo de espera, reduzindo competitividade. Previsão de alta de 20% nos fretes em fevereiro agrava o cenário. Fonte: Poder360 — 03/02/2026
- Inadimplência no crédito rural: Recorde de inadimplência em 2025 expõe fragilidades na política agrícola e reduz apetite de bancos para novas concessões. Juros elevados (Selic ainda em patamar restritivo) encarecem financiamento. Produtores buscam alternativas como consórcio (que cresceu 58% em MT) e adiantamento de recursos de tradings, mas isso implica menor poder de barganha na venda. Fonte: Leia Agora — 03/02/2026
- Riscos climáticos na safrinha: Apesar da janela de plantio favorável, chuvas irregulares a partir de março/abril podem comprometer enchimento de grãos do milho. Monitoramento climático contínuo é essencial.
- Pressões ambientais e de mercado: A saída de grandes tradings da Moratória da Soja levanta alertas de organizações ambientais e pode resultar em retaliação comercial de mercados europeus. Produtores precisam estar atentos a exigências de rastreabilidade e conformidade legal. Fonte: Estadão Agro — 03/02/2026
- Geopolítica EUA-China: Investigação da inteligência americana sobre investimentos chineses no agro brasileiro pode gerar restrições comerciais ou pressões regulatórias, afetando fluxos de capital e acordos de longo prazo. Fonte: O Globo — 04/02/2026
Tendências
- Agricultura de precisão como padrão: Drones, sensores, telemetria e aplicação em taxa variável deixam de ser diferenciais e tornam-se requisitos básicos de competitividade. Empresas como Jacto, CNH, John Deere e startups agritechs aceleram oferta de soluções integradas.
- Consórcios e formas alternativas de financiamento: Diante de juros elevados no crédito rural tradicional, consórcios agrícolas crescem 58% em MT. Produtores planejam aquisição de máquinas e implementos sem comprometer fluxo de caixa imediato. Fonte: CenárioMT — 05/02/2026
- Sustentabilidade como critério de acesso a mercados: Certificações ambientais, rastreabilidade de origem e conformidade com Código Florestal tornam-se exigências contratuais de tradings e importadores.
- Diversificação de portfólio de culturas: Gergelim, sorgo, milheto e outras culturas de segunda safra ganham espaço como alternativas ao milho, reduzindo dependência de um único produto e mitigando riscos de mercado.
- Integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF): Sistemas integrados melhoram fertilidade do solo, geram renda adicional e atendem critérios ESG, sendo incentivados por linhas de crédito como ABC+ e Plano Safra.
Projeções de curto prazo (fevereiro a junho 2026)
Cenário base (probabilidade: 60%)
- Colheita de soja: Conclusão até final de março com volume final entre 50 e 52 milhões de toneladas em MT. Preços oscilando entre R$$ 120 e R$$ 135/sc, com pressão baixista em picos de oferta (março) e recuperação em abril-maio.
- Plantio de milho safrinha: 90% da área plantada até 15 de março, dentro da janela ideal. Expectativa de produtividade média de 95 sc/ha, totalizando entre 45 e 48 milhões de toneladas no estado.
- Frete e logística: Pico de custos em fevereiro-março (+20% vs. janeiro), com normalização gradual a partir de abril. Filas em Miritituba persistem até final de abril, mas sem paralisações graves.
- Crédito rural: Manutenção de juros elevados (taxas efetivas entre 10% e 14% a.a. conforme programa e perfil do produtor). Crescimento de modalidades alternativas (consórcio, adiantamento de tradings).
Justificativa: Condições climáticas dentro da normalidade histórica; mercado internacional sustentado pela demanda chinesa; gargalos logísticos conhecidos e gerenciáveis; política monetária brasileira sem sinais de afrouxamento significativo no curto prazo.
Cenário otimista (probabilidade: 25%)
- Colheita de soja: Volume acima de 52 milhões de toneladas em MT com produtividade média superando 65 sc/ha. Preços sustentados acima de R$ 130/sc devido a eventos climáticos em concorrentes (seca na Argentina, atrasos nos EUA).
- Milho safrinha: Chuvas bem distribuídas em março-abril garantem enchimento pleno de grãos. Produtividade média de 100 sc/ha, totalizando mais de 50 milhões de toneladas no estado.
- Logística: Avanços emergenciais na infraestrutura da BR-163 e ampliação de turnos em terminais portuários reduzem filas em Miritituba já em março. Fretes caem 10% abaixo da média histórica em abril-maio.
- Crédito e financiamento: Governo federal anuncia pacote emergencial de crédito subsidiado (juros de 6% a 8% a.a.) para custeio da safrinha, estimulando investimento em tecnologia e insumos de qualidade.
Justificativa: Combinação de clima favorável, intervenção pública oportuna em gargalos logísticos e choques positivos de oferta internacional (problemas em concorrentes). Cenário improvável, mas não impossível.
Cenário pessimista (probabilidade: 15%)
- Colheita de soja: Chuvas excessivas em fevereiro-março atrasam colheita e comprometem qualidade do grão. Volume final entre 48 e 49 milhões de toneladas em MT. Preços oscilam entre R$$ 115 e R$$ 125/sc devido a desconto de qualidade e excesso de oferta global.
- Milho safrinha: Plantio atrasado (após 20 de março em 30% da área) expõe lavouras a risco de geada e déficit hídrico. Produtividade média cai para 85 sc/ha. Produção estadual não ultrapassa 42 milhões de toneladas.
- Logística: Filas em Miritituba agravam-se e estendem-se até maio. Fretes sobem 30% acima da média histórica. Produtores sofrem perdas de oportunidade comercial.
- Crédito e inadimplência: Inadimplência recorde de 2025 gera restrição de crédito ainda mais severa. Bancos elevam exigências de garantias e reduzem prazos. Produtores menores enfrentam descapitalização.
- Pressões internacionais: Retaliação europeia à soja brasileira por questões ambientais resulta em cancelamento de contratos e descontos de até 10% em cotações para produto sem certificação.
Justificativa: Combinação de eventos climáticos adversos, agravamento de gargalos estruturais e choques geopolíticos. Cenário de baixa probabilidade, mas com impacto potencial severo sobre margens e rentabilidade.
Recomendações práticas para empresários, gestores e produtores de Sinop e Sorriso
Para produtores rurais
- Acelere a colheita da soja: Aproveite janelas de tempo seco para concluir a colheita até meados de março. Cada dia de atraso reduz a janela ideal para plantio do milho safrinha e aumenta riscos climáticos.
- Planeje o plantio do milho com rigor técnico: Priorize áreas de maior potencial produtivo para plantio até 10-15 de março. Utilize genética adaptada ao ciclo e ao perfil de solo. Calibre espaçamento, população de plantas e dose de fertilizantes conforme mapeamento de fertilidade.
- Diversifique estratégias de comercialização: Não concentre toda a venda de soja no pico da colheita (março). Venda antecipada de 30% a 40% da produção esperada garante caixa para custeio da safrinha. Reserve 20% a 30% para comercialização entre maio e julho, quando pressão de oferta diminui e preços tendem a recuperar.
- Monitore custos de frete e logística: Negocie contratos de transporte com antecedência. Considere armazenagem na propriedade ou em cooperativas para evitar venda forçada em períodos de pico de frete.
- Invista em tecnologia de forma gradual e focada: Priorize soluções com retorno comprovado: mapas de fertilidade, aplicação em taxa variável de fertilizantes, monitoramento de pragas com armadilhas inteligentes. Evite investimentos em tecnologia sem capacitação da equipe.
- Busque alternativas de financiamento: Avalie consórcios para aquisição de máquinas, adiantamento de recursos de tradings (mas negocie margem mínima de liberdade de venda), crédito cooperativo e programas oficiais (Pronaf, Pronamp, ABC+).
- Adote práticas de sustentabilidade documentadas: Mantenha registros de conformidade com Código Florestal, licenças ambientais, notas fiscais de insumos e comprovantes de destinação de embalagens. Isso facilitará acesso a mercados exigentes e linhas de crédito verde.
Para gestores de cooperativas e revendas
- Amplie capacidade de recebimento e armazenagem: A antecipação da colheita concentra oferta de soja entre final de fevereiro e março. Cooperativas com estrutura de armazenagem podem capturar margem de comercialização ao longo do ano.
- Ofereça pacotes integrados de insumos + serviços técnicos: Produtores valorizam soluções completas: sementes, fertilizantes, defensivos, assistência técnica e suporte em agricultura de precisão. Modelos de pagamento flexível (consignado, barter) aumentam competitividade.
- Desenvolva programas de fidelização e treinamento: Dias de campo, demonstrações de tecnologia, palestras sobre gestão financeira e comercialização agregam valor e fortalecem vínculo com associados/clientes.
- Estruture parcerias com fintechs e cooperativas de crédito: Facilite acesso dos produtores a crédito, seguros e instrumentos de hedge. Cooperativas que intermediam crédito conquistam maior engajamento e reduzem inadimplência.
Para empresários de logística e armazenagem
- Antecipe-se ao pico de demanda: Fevereiro e março concentram maior volume de transporte de soja. Negocie contratos antecipados com produtores e tradings para garantir carga de retorno e otimizar utilização da frota.
- Invista em rastreamento e gestão de frota: Tecnologias de telemetria, roteirização inteligente e manutenção preditiva reduzem custos operacionais e aumentam confiabilidade do serviço.
- Explore oportunidades em armazenagem temporária: Ofereça serviços de armazenagem de curto prazo (30-90 dias) para produtores que desejam evitar venda forçada no pico da colheita.
Para empresários de tecnologia agrícola (agritechs, revendas de máquinas)
- Posicione-se na Norte Show 2026 (21-24 abril em Sinop): Evento reúne público qualificado e tomadores de decisão. Demonstrações práticas de drones, sensores, plataformas de gestão e soluções de agricultura de precisão geram leads de alta conversão.
- Ofereça modelos de negócio flexíveis: Venda, locação, serviços por hectare (pulverização com drone, mapeamento). Produtor mato-grossense busca retorno rápido e baixo risco.
- Estruture suporte técnico local: Sinop e Sorriso demandam assistência técnica ágil. Parcerias com revendas de insumos e cooperativas facilitam capilaridade.
Para gestores públicos e entidades representativas
- Pressione por destraves logísticos: Gargalos na BR-163 e em Miritituba comprometem competitividade do estado. Articulação com governo federal para ampliação de turnos em terminais, duplicação de trechos críticos e avanço da Ferrogrão é prioritária.
- Estruture programas de crédito estadual emergencial: Inadimplência recorde expõe fragilidades do sistema. Fundos garantidores estaduais, linhas de crédito com juros subsidiados e programas de renegociação podem evitar descapitalização de produtores.
- Incentive adoção de tecnologia e sustentabilidade: Isenções fiscais para importação de equipamentos de agricultura de precisão, programas de capacitação técnica e certificação ambiental fortalecem competitividade de longo prazo.
