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Fenômenos El Niño e La Niña Redesenham o Clima Agrícola no Brasil e Afetam Produção em Mato Grosso

Os fenômenos climáticos El Niño e La Niña têm provocado impactos cada vez mais intensos na agricultura brasileira, afetando diretamente culturas estratégicas como soja, milho e café. Em um cenário de mudanças climáticas e eventos extremos mais frequentes, produtores de diversas regiões do país — especialmente em Mato Grosso, maior produtor nacional de grãos — enfrentam desafios crescentes para manter a produtividade e a previsibilidade das safras.

Efeitos no Brasil

Durante o El Niño, há um aumento das chuvas no Sul do Brasil e uma tendência de seca nas regiões Norte e Nordeste, além de temperaturas mais elevadas em todo o país. Isso pode prejudicar o desenvolvimento das lavouras, especialmente em fases críticas como o florescimento e enchimento de grãos. Já o La Niña costuma provocar o efeito oposto: estiagens severas no Sul e chuvas mais regulares no Centro-Oeste e Matopiba, o que pode beneficiar algumas regiões, mas prejudicar outras.

Na safra 2023/24, por exemplo, o El Niño contribuiu para atrasos no plantio da soja em estados como Paraná e Mato Grosso, devido ao calor excessivo e à irregularidade das chuvas. No caso do café, o fenômeno pode afetar a floração e o enchimento dos grãos, impactando diretamente a qualidade e o volume da produção, especialmente em Minas Gerais e Espírito Santo.

Impactos em Mato Grosso

Em Mato Grosso, os efeitos variam conforme a intensidade e o momento do fenômeno. Durante o El Niño, há risco de veranicos prolongados, que comprometem o desenvolvimento da soja e do milho, especialmente nas fases iniciais. Já o La Niña, quando moderado, tende a favorecer a regularidade das chuvas, beneficiando o calendário agrícola do estado.

Contudo, os últimos ciclos mostraram que os efeitos desses fenômenos estão mais imprevisíveis e intensos. A safra 2022/23, por exemplo, enfrentou altas temperaturas e déficit hídrico em regiões do norte mato-grossense, o que reduziu a produtividade média da soja em até 15% em algumas áreas. Além disso, o milho segunda safra tem sido impactado por janelas de plantio mais curtas, exigindo maior precisão no manejo.

Perspectivas para 2025/26

Segundo o NOAA (Serviço Nacional de Meteorologia dos EUA), há 57% de probabilidade de formação do La Niña até o fim de 2025, o que pode trazer chuvas mais escassas para o Sul e benefícios para o Centro-Oeste, incluindo Mato Grosso. No entanto, especialistas alertam que os efeitos podem ser de curta duração e que o planejamento agrícola deve considerar estratégias de mitigação, como o uso de cultivares mais resistentes, irrigação localizada e monitoramento climático em tempo real.

Referências

 

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