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Defensivos Biológicos Devem Representar 25% do Mercado até 2035: Brasil Lidera Corrida por Sustentabilidade no Campo

O mercado de defensivos biológicos no Brasil está em plena expansão e deve ocupar 25% de toda a fatia de defensivos agrícolas até 2035, segundo projeções da CropLife Brasil e da consultoria IHS Markit. A tendência reflete uma mudança estrutural na agricultura nacional, impulsionada por demandas ambientais, avanços tecnológicos e pressão dos consumidores por alimentos mais seguros e sustentáveis.

Crescimento Acelerado e Dados de Mercado

  • Em 2023, o Brasil registrou 647 produtos biológicos ativos, com destaque para os fungos Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae, usados no controle de pragas como cigarrinha-das-raízes, mosca-branca e broca-do-café.
  • A safra 2022/23 movimentou US$ 827 milhões em biodefensivos, um salto de 52% em relação ao ciclo anterior.
  • Estima-se que o mercado brasileiro de biológicos alcance R$ 17 bilhões até 2030, com taxa de crescimento anual superior a 20%.
  • Atualmente, os biológicos estão presentes em 28% da área plantada no país, com destaque para soja (42%), algodão (21%), cana-de-açúcar (18%) e milho (18%).

Depoimentos do Setor

Reinaldo Bonnecarrere, Diretor de Biológicos LATAM da Indigo Agricultura, afirma que “o Brasil tem condições únicas para liderar o mercado global de bioinsumos, com biodiversidade, capacidade técnica e demanda crescente por soluções sustentáveis”.

Wagner Bettiol, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, destaca que “a área tratada com controle biológico em 2022 foi de 70 milhões de hectares, um crescimento espetacular, principalmente pela facilidade de aplicação e custo competitivo”.

Carlos Cogo, consultor de mercado, reforça que “os bioinsumos são a chave para reduzir a dependência de importações e tornar o Brasil autossuficiente em defensivos agrícolas nos próximos dez anos”.

Fatores que Impulsionam o Avanço

  • Pressão ambiental e regulatória: A busca por práticas de baixo impacto e a flexibilização de registros pela Lei 15.070 aceleram a adoção dos biológicos.
  • Manejo Integrado de Pragas (MIP): Os biológicos são cada vez mais usados em conjunto com químicos, aumentando a eficácia e reduzindo a resistência de pragas.
  • Demanda internacional: Exportadores brasileiros enfrentam exigências sanitárias e ambientais mais rigorosas, o que favorece o uso de defensivos naturais.

Desafios e Oportunidades

Apesar do crescimento, o setor ainda enfrenta desafios como:

  • Capacitação técnica de produtores
  • Padronização de formulações e eficácia
  • Escalabilidade industrial e logística

Por outro lado, grandes empresas químicas estão investindo em divisões de bioinsumos, o que deve aumentar a competitividade e reduzir os preços nos próximos anos.

Perspectiva para 2035

Com o avanço da pesquisa, o fortalecimento da indústria nacional e o apoio de políticas públicas, os defensivos biológicos devem se consolidar como pilar estratégico da agricultura brasileira, ocupando um quarto do mercado total de defensivos e transformando o Brasil em referência global em produção sustentável.

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