Compartilhe este conteúdo:

COP30 em Belém: Gastos Bilionários e Contrastes Sociais em Meio à Pobreza Local

A COP30, realizada em Belém em novembro de 2025, tem gerado diversas controvérsias relacionadas aos elevados gastos públicos e à disparidade social da região. Segundo análise da Transparência Internacional – Brasil, os recursos investidos em 23 obras para o evento somam cerca de R$ 2,8 bilhões, financiados pelo orçamento federal, BNDES e Itaipu. Entre as obras mais caras estão o Parque Linear Doca (R$ 365,8 milhões), a ampliação da Rua da Marinha (R$ 248,5 milhões) e estruturas temporárias para as zonas Azul e Verde da conferência (R$ 250 milhões). Apesar desses valores, falta transparência detalhada sobre licenças ambientais, contratos e acompanhamento dos recursos e dos impactos socioambientais das obras.

Além dos custos bilionários com infraestrutura, a população local enfrenta uma grave crise social. Belém é marcada por altos índices de pobreza, déficit habitacional, e falta de acesso básico à água e energia, problemas escancarados pela preparação para a COP, como denunciado em reportagens recentes. A pandemia social vivida na cidade contrasta com os valores gastos em preparativos para sediar o evento.

Outro ponto crítico é a crise na hospedagem: delegações oficiais, especialmente de países mais pobres e vulneráveis à crise climática, enfrentam preços abusivos. Diárias de hotéis chegam a ser até dez vezes maiores que o preço médio local, com cobranças de até R$ 1 milhão para o período da conferência, dificultando a participação dessas nações no evento e comprometendo sua legitimidade. A Justiça chegou a determinar medidas contra plataformas de hospedagem, mas o problema persiste.

A escolha de Belém para sediar a COP30, em lugar de cidades mais estruturadas como o Rio de Janeiro, justificada oficialmente pelo governo para dar relevância à Amazônia, também é alvo de críticas. A segurança durante a conferência está a cargo da Operação GLO (Garantia da Lei e da Ordem), movimento federal para assegurar a ordem pública, mas que levanta questionamentos sobre prioridades, dado o quadro de pobreza local e a carência de investimentos sociais na região.

Essa combinação de gastos públicos elevados, falta de transparência, crise habitacional e social, preços abusivos de hospedagem e escolha geopolítica da sede evidencia as contradições da COP30 em Belém. O evento que busca soluções ambientais globais expõe as desigualdades profundas que coexistem no país e revela que a luta climática precisa estar necessariamente integrada à luta contra a pobreza e a exclusão.

Post anterior
Próximo post
Edit Template