Data: 26 de Janeiro de 2026
Editoria: Análise de Mercado / Commodities
O mercado agropecuário brasileiro inicia a última semana de janeiro de 2026 com atenções divididas entre o avanço das colheitadeiras no campo e a movimentação geopolítica e cambial nos escritórios. Enquanto a soja busca sustentação em Chicago e o complexo de carnes celebra novas aberturas comerciais na Ásia, o milho enfrenta pressão de baixa no mercado físico interno.
Abaixo, o panorama detalhado por setor.
1. Soja: O Peso da Safra e a Tela de Chicago
A oleaginosa vive o clássico momento de “mercado de clima” misturado com a pressão de oferta física.
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Colheita: As máquinas avançam em Mato Grosso e no Paraná. Relatos iniciais indicam produtividades dentro do esperado, apesar das irregularidades hídricas em dezembro. A entrada da “safra nova” começa a pressionar os prêmios nos portos.
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Mercado Internacional (CBOT): A soja abriu a semana em alta na Bolsa de Chicago, reagindo a compras técnicas e preocupações pontuais com o clima na América do Sul, tentando se descolar das mínimas recentes.
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Cenário: O produtor brasileiro segue reticente nas vendas, aguardando um repique no dólar ou nos prêmios para travar novos negócios.
2. Milho: A Corrida da Safrinha e Preços em Queda
O cenário para o cereal é de cautela e monitoramento logístico.
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Mercado Físico: Segundo o Cepea, os preços do milho continuam recuando no Brasil. O motivo é uma combinação de estoques de passagem confortáveis e a necessidade do produtor de “fazer caixa” e liberar espaço nos armazéns para a soja que está chegando.
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Plantio da 2ª Safra: O ritmo da colheita da soja dita o plantio do milho safrinha. A janela ideal está aberta, e a previsão de chuvas para o Centro-Oeste é o fiel da balança para garantir a umidade do solo.
3. Algodão: Estabilidade e Olho na Exportação
A pluma brasileira continua consolidando sua posição no mercado global.
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Exportações: O ritmo de embarques de janeiro segue forte, sustentado por contratos fechados no final de 2025. O Brasil disputa palmo a palmo a liderança global de exportação com os EUA.
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Preços: Mercado interno com liquidez moderada. As indústrias têxteis operam com estoques regulados, sem grande apetite de compra no curto prazo, mantendo as cotações estáveis.
4. Pecuária: A Nova Fronteira Asiática
O destaque da semana vai para o setor de proteína animal.
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Boi Gordo: A arroba trabalha com viés de estabilidade, mas com suporte firme das exportações. A escala dos frigoríficos está confortável, tirando a pressão de compra urgente.
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O Fator Indonésia: A grande notícia do dia é a perspectiva de novas habilitações para a Indonésia. O país, que aumentou suas importações em mais de 170% no último ano, surge como uma alternativa vital para reduzir a “China-dependência”, absorvendo volumes significativos de carne bovina.
📊 Dados Econômicos e Logística
| Indicador | Tendência Atual | Impacto no Agro |
| Dólar (USD/BRL) | Volátil/Alta | Favorece exportações e formação de preço em reais, mas encarece insumos da safrinha. |
| Frete Rodoviário | Alta | A demanda por caminhões para escoar a soja recém-colhida começa a encarecer o frete no eixo MT-Portos. |
| Crédito Rural | Expansão | Estoque de títulos privados (CRA/LCA) cresceu 16%, atingindo R$ 1,4 tri, sinalizando liquidez via mercado de capitais. |
🔮 Perspectivas para a Semana (26 a 30 de Jan)
Para os próximos dias, o produtor e o analista devem ficar atentos a três pilares:
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Clima no Centro-Oeste e Matopiba: A previsão de chuvas regulares pode atrapalhar o ritmo das colheitadeiras em alguns pontos, mas é essencial para a germinação do milho safrinha recém-plantado.
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Relatório da Secex (Segunda à tarde): Os dados semanais de exportação confirmarão se o ritmo de embarques de soja e milho de janeiro superará o do ano passado.
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Câmbio: Com a agenda econômica política em Brasília voltando à tona, qualquer oscilação forte no dólar mudará instantaneamente a estratégia de comercialização dos grãos.
📉 Tabela de Cotações: Soja (R$/saca 60kg)
Referência: Mercado Físico – 26/01/2026
| Praça / Localidade | Estado | Preço Médio (R$) | Tendência do Dia |
| Porto de Paranaguá | PR | R$ 142,50 | 🔼 Alta (Reflexo CBOT) |
| Porto de Santos | SP | R$ 143,00 | 🔼 Alta |
| Porto de Rio Grande | RS | R$ 144,20 | 🔼 Alta |
| Rondonópolis (Terminal) | MT | R$ 128,00 | ⏺ Estável |
| Sorriso | MT | R$ 119,50 | 🔽 Pressão de Colheita |
| Sinop | MT | R$ 118,80 | 🔽 Pressão de Colheita |
| Primavera do Leste | MT | R$ 122,00 | ⏺ Estável |
| Cascavel | PR | R$ 131,50 | 🔼 Leve Alta |
| Dourados | MS | R$ 127,00 | ⏺ Estável |
| Rio Verde | GO | R$ 125,50 | ⏺ Estável |
📝 Análise Rápida para seu Comentário:
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O “Spread” Logístico: Note a diferença de quase R$ 24,00 entre o porto (Paranaguá) e o Nortão (Sinop). Isso reflete o encarecimento do frete. Com as máquinas colhendo forte na nossa região, a demanda por caminhão subiu, o frete ficou mais caro e isso “come” o preço recebido pelo produtor na base.
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Chicago vs. Físico: Embora Chicago tenha subido hoje (puxando os portos para cima), o mercado físico no interior de Mato Grosso não absorveu toda essa alta justamente por causa da oferta física chegando nos armazéns.
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Indicador: Para o produtor de MT, o momento é de fazer conta na ponta do lápis: a alta do dólar ajuda, mas o custo logístico agora é o vilão.
Referências Consultadas:
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Cepea/Esalq (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) – Indicadores de Preços.
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Agro Estadão & Broadcast Agro – Notícias de mercado e política agrícola.
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Secex (Secretaria de Comércio Exterior) – Dados preliminares de embarques.
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Bolsa de Chicago (CBOT) – Cotações internacionais.
