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Colheita da Segunda Safra de Milho em Mato Grosso Caminha para Recorde Histórico

Um marco para o agronegócio

Mato Grosso, o maior produtor de milho do Brasil, está prestes a alcançar um recorde histórico na colheita da segunda safra de milho 2024/2025. A safra, conhecida como “safrinha”, atingiu 77,26% da área plantada até 18 de julho de 2025, avançando 19,7 pontos percentuais em apenas uma semana, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Com uma produção estimada em 50,38 milhões de toneladas, o estado reforça sua posição como líder nacional na produção do cereal, impulsionado por condições climáticas favoráveis e investimentos em tecnologia.

Números impressionantes

A área cultivada com milho na safrinha atingiu 7,13 milhões de hectares, um aumento de 4,85% em relação à safra anterior. A produtividade média é projetada em 117,74 sacas por hectare, um crescimento de 1,86% em comparação com o ciclo 2023/2024. Esses números refletem o bom desenvolvimento das lavouras, especialmente nas regiões de Sorriso, Nova Mutum e Diamantino, que lideram a produção. O clima, com chuvas regulares entre abril e maio, foi decisivo para o sucesso, mesmo em áreas plantadas fora da janela ideal, que alcançaram médias de até 123 sacas por hectare.

Para José Mendes, agricultor em Sorriso, o resultado é motivo de celebração: “A gente trabalhou duro, investiu em sementes boas e monitoramento. Ver o milharal rendendo assim é uma recompensa.” A safra recorde deve gerar um impacto econômico de mais de R$ 10 bilhões no estado, beneficiando cooperativas, trabalhadores rurais e o comércio local.

Desafios e soluções

Apesar do sucesso, o setor enfrenta desafios logísticos. A falta de espaço nos armazéns, devido à safra recorde de soja colhida anteriormente, levou produtores a utilizarem silos-bolsa para armazenar o milho. Além disso, a incidência de pragas, como a cigarrinha-do-milho, atingiu 29% a 47% das lavouras no Médio Norte, mas o controle eficaz minimizou perdas.

Os preços do milho, no entanto, preocupam. Em algumas regiões, a saca está sendo negociada abaixo de R$ 40, pressionada pela alta oferta. “A produtividade está ótima, mas o preço baixo aperta as margens. Vamos segurar parte da produção para vender mais adiante”, explica a produtora Ana Lúcia, de Nova Mutum. A expectativa é que a forte demanda internacional, especialmente da China, ajude a estabilizar os preços até o final do ano.

Liderança de Sorriso e impacto nacional

Sorriso, a “Capital Nacional do Agronegócio”, foi palco da abertura oficial da colheita em 18 de junho de 2025, na Fazenda Dois Irmãos. O evento, organizado pela Aprosoja-MT, Abramilho e Canal Rural, contou com a presença de autoridades como o vice-governador Otaviano Pivetta, que destacou o papel do estado na produção de alimentos: “Mato Grosso sozinho deve alcançar 100 milhões de toneladas de grãos este ano, algo impensável há 25 anos.”

O município, que colheu cerca de 6,6 milhões de toneladas de milho, lidera a produção nacional, seguido por Nova Ubiratã, Nova Mutum e outros. A safra de Mato Grosso representa 30% da produção brasileira de grãos, com o milho sendo responsável por quase 40% do total nacional, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Sustentabilidade e futuro

A produção recorde também destaca o compromisso com a sustentabilidade. Segundo a Aprosoja-MT, o sistema de plantio de soja e milho em Mato Grosso retira 1,9 tonelada de carbono por hectare da atmosfera, contribuindo para a redução de emissões. Investimentos em tecnologia, como agricultura de precisão e monitoramento por satélite, têm aumentado a eficiência e reduzido o impacto ambiental.

Para 2026, os produtores planejam expandir a área plantada em cerca de 5%, apostando na continuidade da demanda internacional. No entanto, a possível tarifa de 50% dos EUA sobre produtos brasileiros, anunciada para agosto de 2025, é uma preocupação. O setor já busca novos mercados, como México e países da Ásia, para manter a competitividade.

Conclusão

A segunda safra de milho 2024/2025 em Mato Grosso é mais do que números recordes: é a prova da força do agronegócio brasileiro. Com tecnologia, planejamento e o trabalho incansável de agricultores como José e Ana Lúcia, o estado continua a alimentar o mundo enquanto enfrenta desafios logísticos e comerciais. A colheita histórica fortalece a economia local e reafirma o papel de Mato Grosso como pilar da segurança alimentar global.

Referências

  • Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

  • Agroconsult – Rally da Safra 2025.

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