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Chuvas intensas travam início da colheita da soja e IMEA projeta quebra de safra em Mato Grosso

Com máquinas paradas e risco de grãos ardidos, produtores enfrentam cenário de queda de quase 9% na produtividade média do estado.

 Redação -Sorriso 9 de janeiro de 2026 – O ciclo da soja 2025/26 em Mato Grosso entra em sua etapa decisiva sob alerta. Embora a colheita já tenha começado nas lavouras de variedades precoces, o ritmo dos trabalhos no campo está sendo ditado por um adversário imprevisível: o clima.

As chuvas intensas que marcam este início de janeiro tornaram-se o principal obstáculo para o agronegócio estadual. O excesso de umidade tem impedido o avanço consistente das colheitadeiras, obrigando os produtores a monitorarem o céu em busca de pequenas “janelas” de tempo seco para entrarem com as máquinas.

Além do atraso operacional, a preocupação se volta para a qualidade do produto final. Com a soja pronta para ser colhida e exposta à chuva contínua, o risco de fermentação e aparecimento de “soja ardida” aumenta drasticamente, o que pode desvalorizar o grão e trazer prejuízos comerciais.

Números confirmam a quebra

A percepção de dificuldade no campo foi confirmada pelos dados mais recentes divulgados pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA). O relatório aponta um descompasso entre o investimento e o retorno esperado para esta temporada.

Apesar de os produtores terem apostado na expansão, aumentando a área plantada em 1,67% — atingindo o recorde de 13,01 milhões de hectares —, a produção total não acompanhará esse crescimento.

Projeções do IMEA (Dados Atualizados)
Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), os números consolidados para este ciclo mostram um cenário preocupante:
Indicador Projeção 2025/26 Variação (vs. anterior)
Área Plantada 13,01 milhões de ha + 1,67%
Produção Total 47,18 milhões de t – 7,29%
Produtividade Média 60,45 sc/ha ~ – 8% a 9%

As projeções indicam:

  • Queda na Produção Total: Recuo de 7,29%, com estimativa de colheita de 47,18 milhões de toneladas.

  • Queda na Produtividade: A média deve cair quase 9%, fechando em 60,45 sacas por hectare.

A Tempestade Perfeita

Segundo especialistas, a safra 2025/26 enfrenta o que pode ser considerado uma “tempestade perfeita” climática. As lavouras foram penalizadas em duas pontas: sofreram com a estiagem severa e o calor durante o plantio e desenvolvimento inicial, e agora enfrentam o excesso de chuvas na maturação e colheita.

O momento exige cautela e estratégia logística por parte dos produtores, que correm contra o tempo para tirar a produção do campo e minimizar as perdas de um ciclo já marcado pela volatilidade climática.

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