Sorriso, conhecida como a capital nacional do agronegócio, é o epicentro da produção de soja e milho no Mato Grosso, estado que lidera a produção de grãos no Brasil, com 21,1% do valor agrícola nacional (R$ 174,8 bilhões em 2022). Para a safra 2025/26, os custos de produção dessas culturas no município registram alta, impulsionados por fertilizantes, combustíveis e desvalorização do real. Este artigo analisa os impactos dessa elevação nos custos, os desafios enfrentados pelos produtores de Sorriso e estratégias para manter a competitividade, com base em dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA), Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e outras fontes confiáveis.
Contexto da Produção em Sorriso
Sorriso é o maior produtor de soja e milho do Brasil, com 2,1 milhões de toneladas de soja e 3,8 milhões de toneladas de milho em 2022, gerando R$ 11,5 bilhões em valor de produção, segundo o IBGE. A cidade concentra 1,4% do valor agrícola nacional, destacando-se pela alta produtividade (65 sacas/ha para soja e 120 sacas/ha para milho) e uso intensivo de tecnologia. A soja é a principal cultura, seguida pelo milho safrinha, cultivado após a colheita da oleaginosa. Em 2024, o município plantou cerca de 600 mil hectares de soja e 400 mil hectares de milho, conforme o IMEA.
Alta nos Custos de Produção
Os custos de produção da soja e milho em Sorriso subiram significativamente para a safra 2025/26, pressionados por fatores como a alta do dólar (R$ 5,88), aumento nos preços de fertilizantes e combustíveis, e gargalos logísticos. Segundo o IMEA, o Custo Operacional Efetivo (COE) da soja atingiu R$ 7.430/ha, alta de 4,5% em relação à safra 2024/25, enquanto o milho alcançou R$ 6.500/ha, aumento de 3,2%. Abaixo, detalhamos os principais componentes:
Soja
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Custo Total: R$ 7.430/ha, equivalente a 63,5 sacas/ha a R$ 117/saca, segundo a Aprosoja-MT.
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Fertilizantes: Representam 25% do custo (R$ 1.860/ha). O fosfato monoamônico (MAP) subiu 20% (R$ 4.750/t), e a ureia aumentou 3,1%. A relação de troca piorou, exigindo 35,3 sacas/t de MAP, contra 30,57 em 2023.
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Defensivos: R$ 1.480/ha (20%), com alta de 6% devido à desvalorização do real.
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Combustível e Máquinas: R$ 1.850/ha (25%), com diesel 7% mais caro.
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Sementes: R$ 740/ha (10%), com aumento de 5% em híbridos transgênicos.
Milho
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Custo Total: R$ 6.500/ha, ou 108 sacas/ha a R$ 40,90/saca, conforme a corretora MilhoSoja.com.br.
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Fertilizantes: R$ 1.625/ha (25%), com alta do MAP e queda de 3,7% no cloreto de potássio (KCl).
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Defensivos: R$ 1.300/ha (20%), impactados pelo dólar.
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Combustível e Máquinas: R$ 1.950/ha (30%), pressionados pela alta do diesel.
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Sementes: R$ 650/ha (10%), com aumento de 4% em variedades resistentes.
A CNA estima que os custos totais no Mato Grosso subiram 7% em média, com fertilizantes respondendo por quase metade das despesas, apesar de quedas pontuais, como no KCl. Em Sorriso, apenas 38,4% dos produtores adquiriram insumos até fevereiro de 2025, refletindo cautela devido à relação de troca desfavorável e à incerteza sobre preços, com a soja a R$ 118,37/saca no Norte Mato-Grossense, segundo a Grão Direto.
Impactos em Sorriso
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Rentabilidade: A margem de lucro dos produtores está apertada. Para a soja, com produtividade média de 65 sacas/ha, sobram cerca de 1,5 sacas/ha após cobrir o COE, contra 8-9 sacas na safra 2022/23. No milho, a margem é de 12 sacas/ha, menor que as 15 sacas da safra anterior, segundo a CNA.
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Logística: Gargalos na BR-163 elevam custos de transporte em 8%, impactando a competitividade. O corredor Arco Norte, que cresceu de 12% para 35% das exportações de grãos entre 2010 e 2024, alivia parcialmente, mas ainda é insuficiente.
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Crédito: Apenas 43,5% dos produtores têm acesso a financiamento definido, com juros de 10% ao ano, limitando investimentos em tecnologia e insumos.
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Preços: A soja em Sorriso subiu 1% (R$ 57/saca), e o milho 7% (R$ 14/saca), segundo a CNA, mas a baixa nos preços internacionais (soja a R$ 117/saca) pressiona a rentabilidade.
Desafios
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Clima: Chuvas irregulares na safrinha e riscos de La Niña podem reduzir a produtividade do milho em 10-15%.
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Insumos: A dependência de fertilizantes importados (80% do consumo) eleva custos com a alta do dólar. O MAP exige 35,3 sacas/t, dificultando o planejamento.
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Sustentabilidade: A pressão por práticas sustentáveis aumenta custos com defensivos de baixa toxicidade e certificações.
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Mercado: A volatilidade dos preços internacionais, com queda de 2,5% na soja (R$ 117/saca), exige estratégias de comercialização mais agressivas.
Estratégias dos Produtores
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Agricultura de Precisão: Tecnologias como a Farmonaut, com drones e sensores, reduzem custos com fertilizantes em 15%, segundo a Embrapa. A diagnose foliar com IA agiliza o manejo.
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Híbridos: Sementes transgênicas e resistentes, como a soja Intacta 2 Xtend, aumentam a produtividade em 5-7%.
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Rotação de Culturas: A integração com sorgo e algodão melhora a saúde do solo e reduz nematoides, cortando custos com defensivos em 10%.
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Comercialização: Vendas antecipadas e hedge no mercado futuro protegem contra quedas de preço. A CNA recomenda negociar 60% da safra antes do plantio.
Relevância e Futuro
Sorriso mantém sua posição como líder agrícola, mas a alta nos custos exige eficiência. A Conab projeta crescimento de 20% na produção de soja (54,6 milhões de toneladas) e 4% no milho (44,2 milhões de toneladas) no Mato Grosso para 2025/26, com Sorriso contribuindo com 10% do total. A adoção de tecnologia e a melhoria da logística via Arco Norte são cruciais para manter a competitividade. Segundo Lucas Costa Beber, da Aprosoja-MT, “Sorriso precisa investir em inovação para enfrentar custos e sustentar o título de capital do agro.”
Conclusão
A alta nos custos de produção da soja e milho em Sorriso, impulsionada por fertilizantes, combustíveis e dólar, desafia a rentabilidade dos produtores na safra 2025/26. Com margens apertadas e dependência de insumos importados, estratégias como agricultura de precisão, rotação de culturas e comercialização antecipada são essenciais. Apesar dos desafios, a alta produtividade e o uso de tecnologia consolidam Sorriso como referência no agronegócio, com potencial para liderar a safra recorde projetada para 2025/26.
Referências
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IMEA, Relatório de Custos, 2025.
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Conab, Projeções Agrícolas, 2025.
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CNA, Projeto Campo Futuro, 2025.
