Dezembro de 2025 — O agronegócio brasileiro encerra o ano com um cenário que analistas têm chamado de “paradoxo da abundância”. Se por um lado os números oficiais projetam um novo recorde histórico de produção para o ciclo 2025/26, por outro, o clima errático — marcado pela influência do La Niña — mantém o produtor em estado de alerta máximo.
Abaixo, detalhamos os três pilares que estão bombando nos debates do setor este mês.
Os relatórios mais recentes da CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) e consultorias privadas divulgados na primeira quinzena de dezembro indicam que o Brasil caminha para colher cerca de 354 milhões de toneladas de grãos no ciclo 2025/26.
O Carro-Chefe: A soja continua sendo a protagonista. A expectativa é que o país exporte mais de 108 milhões de toneladas do grão, consolidando ainda mais sua posição de líder global.
Avanço do Plantio: Até meados de dezembro, o plantio da soja já cobria cerca de 94,5% da área prevista. Embora seja um número robusto, ele está ligeiramente atrasado em comparação a 2024 (que tinha 97% nesta época), um sinal claro das dificuldades operacionais no campo.
Impacto Econômico: O agro foi fundamental para segurar a inflação de alimentos em 2025 (que ficou na casa dos 2%, bem abaixo dos 8% do ano anterior) e garantir o superávit da balança comercial, com exportações do setor roçando os R$ 100 bilhões.
A expressão que domina os grupos de produtores e as mesas de operação é que temos “recorde no papel, mas risco no céu”. O clima em dezembro de 2025 tem se mostrado impiedoso em regiões-chave.
Eventos Extremos: Enquanto o plantio avançava, tempestades de granizo em Goiás destruíram cerca de 230 hectares de soja em questão de horas, um prejuízo milionário que viralizou nas redes sociais do agro.
Seca Localizada: Ao mesmo tempo, o oeste de São Paulo e partes do Mato Grosso do Sul enfrentam “bolsões de seca” e atraso nas chuvas, forçando replantios e aumentando o custo de produção.
La Niña: A persistência do fenômeno La Niña tem bagunçado o regime de chuvas. A preocupação agora se volta para o milho safrinha (a segunda safra), que pode ser plantado fora da janela ideal em 2026 devido ao atraso atual da soja, expondo a lavoura a riscos de geada ou seca lá na frente.
Nunca se falou tanto em IA (Inteligência Artificial) e robótica no campo como neste final de 2025. Diante da imprevisibilidade climática, a tecnologia deixou de ser luxo para virar ferramenta de sobrevivência.
Monitoramento de Precisão: O uso de drones e sensores de solo para “micro-gerenciamento” de talhões explodiu. O objetivo é economizar insumos (que seguem caros) e aplicar defensivos apenas onde é estritamente necessário.
Seguro Rural: Com o aumento dos sinistros climáticos, o mercado de seguros rurais vive um momento de tensão, com prêmios mais caros e seguradoras mais exigentes quanto ao uso de tecnologias de monitoramento por parte dos produtores.
Se você precisa explicar o cenário atual para alguém, o resumo é: O Brasil plantou a maior safra da história, mas ainda não garantiu que vai colhê-la. O volume está lá, a tecnologia está lá, mas o clima de dezembro/janeiro será o juiz final que determinará se teremos lucro ou apenas volume.
Boletins de Safra da CONAB (Dez/25) – Projeções de volume.
Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) – Dados sobre impacto no PIB e inflação.
Agências de Notícias (Reuters/Notícias Agrícolas) – Relatos sobre o granizo em GO e atraso no plantio.
Visão Agro / Radar Digital Brasília – Análises de exportação e balança comercial.