Para entender 2026, precisamos olhar para o retrovisor. Os anos de 2023, 2024 e parte de 2025 foram marcados por um forte descarte de matrizes (fêmeas), o que aumentou a oferta de carne no curto prazo e pressionou a arroba para baixo.
Agora, a conta chegou. A redução no número de vacas nos últimos anos resultou em menos bezerros nascendo. Em 2026, esse “buraco” na produção de bezerros chegará à idade de abate, criando um cenário clássico de inversão de ciclo: a oferta de boi gordo será menor do que a demanda, forçando uma valorização natural dos preços.
A “Lei da Oferta e Procura” a favor do Produtor: Analistas de mercado (como Scot Consultoria e Rabobank) indicam que a fase de baixa (baixa do ciclo) ficou para trás. Com o rebanho em fase de recomposição, o pecuarista tenderá a reter fêmeas para produzir bezerros, que estarão valorizados.
O Efeito: Menos fêmeas indo para o gancho do frigorífico significa menos carne no mercado interno, sustentando as cotações da arroba em patamares superiores aos de 2025.
O Bezerro Vale Ouro: A categoria de reposição deve ser a estrela de 2026. A escassez de animais jovens (reflexo do abate de vacas nos anos anteriores) deve inflacionar o preço do bezerro. Isso é ótimo para o criador, mas acende um alerta para o invernista (quem compra para engordar), que precisará ser extremamente eficiente na nutrição para fechar a conta.
Exportações e o “Boi China”: A demanda internacional permanece robusta. A China continua sendo o principal destino, mas com exigências crescentes. Em 2026, a rastreabilidade individual deixará de ser um diferencial para se tornar quase um “passaporte” obrigatório para acessar os bônus de exportação. O Brasil deve bater novos recordes de volume embarcado, aproveitando lacunas deixadas por outros competidores globais.
Abate de Fêmeas: Dados preliminares indicam uma redução drástica na participação de fêmeas nos abates totais projetados para 2026, caindo para níveis abaixo de 40% (sinalizando retenção).
Preço Futuro (B3): Os contratos futuros para 2026 já começam a precificar essa escassez, apontando para uma arroba com recuperação real acima da inflação.
Consumo Interno: A expectativa de melhora na renda média do brasileiro em 2026 também ajuda a sustentar o consumo de carne bovina no mercado doméstico, evitando que a dependência da exportação seja total.
Com a arroba valorizada, volta a compensar o investimento em tecnologias de nutrição de precisão e genética. O pecuarista que conseguir entregar um animal jovem, pesado e bem acabado em 2026 terá nas mãos um ativo disputado a tapa pelos frigoríficos.
“O mercado em 2026 não aceitará amadorismo. Quem tiver boi pronto na entressafra terá o poder de barganha de volta às mãos.”
Cepea/Esalq – USP: Séries históricas do boi gordo e indicadores do bezerro.
Relatórios Rabobank: “Perspectivas para o Agronegócio Brasileiro 2026”.
USDA (Departamento de Agricultura dos EUA): Projeções globais de oferta e demanda de proteína animal.