o Grosso
O sorgo é cultivado principalmente na safrinha, entre fevereiro e junho, aproveitando a infraestrutura agrícola desenvolvida para soja e milho. Em 2024, o Mato Grosso plantou 1,2 milhão de hectares, produzindo 3,5 milhões de toneladas, o que representa cerca de 30% da produção nacional, segundo a Conab. A cultura lidera o ranking brasileiro, à frente de Goiás e Minas Gerais, com destaque em municípios como Sorriso, Nova Mutum e Campo Novo do Parecis.
A versatilidade do sorgo é um de seus maiores trunfos. O sorgo granífero é amplamente usado na alimentação de aves e suínos, atendendo à demanda da pecuária mato-grossense, que conta com 32 milhões de cabeças de gado. O sorgo forrageiro é empregado na silagem, enquanto o sorgo sacarino ganha espaço na produção de etanol de segunda geração, com potencial de 2.000 a 3.000 litros/ha, segundo a Embrapa. Sua tolerância ao estresse hídrico e a solos pobres o torna ideal para o Cerrado, onde a produtividade média varia de 2,5 a 3 t/ha, com picos de 5 t/ha em condições otimizadas.
Produção e Mercado
Em 2024, o Mato Grosso exportou 360 mil toneladas de sorgo, cerca de 30% do total brasileiro (1,2 milhão de toneladas), principalmente para a China (60%) e países do Sudeste Asiático, segundo o Ministério da Agricultura. No mercado interno, o sorgo abastece a indústria de ração, com preços médios de R$ 1.100/t em 2024, competitivos frente ao milho (R$ 1.400/t). A demanda por ração cresceu 5% no estado, impulsionada pela expansão da avicultura e suinocultura, conforme o IMEA.
A produtividade do sorgo no Mato Grosso é favorecida por híbridos desenvolvidos pela Embrapa, como o BRS 373, que combina resistência a pragas e alta produtividade. A cultura também se beneficia da rotação com a soja, melhorando a estrutura do solo e reduzindo a incidência de nematoides. A Conab projeta aumento de 10% na área plantada para 2025, atingindo 1,32 milhão de hectares, devido à rentabilidade e à demanda estável.
Custos de Produção
O custo de produção do sorgo no Mato Grosso é de R$ 2.500/ha, 30% inferior ao do milho (R$ 6.500/ha), segundo o IMEA, tornando-o atrativo para produtores com acesso limitado a crédito. Os principais componentes são:
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Fertilizantes: R$ 500/ha (20%), com fosfato monoamônico (MAP) a R$ 4.750/t (+20% em 2025) e ureia (+3,1%).
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Sementes: R$ 300/ha (12%), com alta de 5% devido à demanda por híbridos.
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Defensivos: R$ 400/ha (16%), impactados pela desvalorização do real (R$ 5,88).
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Máquinas e Combustível: R$ 600/ha (24%), com diesel 7% mais caro.
A relação de troca para fertilizantes é menos favorável que em 2023 (18 sacas/t de MAP contra 15,5), mas ainda viável. Apenas 40% dos produtores adquiriram insumos até fevereiro de 2025, refletindo cautela econômica, com 43,5% sem acesso a crédito definido.
Desafios
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Clima: Chuvas irregulares na safrinha podem reduzir a produtividade em 10-15%, especialmente em plantios tardios (março/abril).
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Pragas: O pulgão-da-cana (Melanaphis sacchari) tem impactado lavouras, exigindo monitoramento e defensivos, que subiram 6% em custo.
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Logística: Apesar dos avanços no corredor Arco Norte (35% das exportações de grãos em 2024), gargalos em rodovias como a BR-163 elevam custos de transporte em 8%.
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Crédito: A escassez de financiamento rural, com juros de 10% ao ano, limita investimentos em tecnologia e insumos.
Estratégias dos Produtores
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Agricultura de Precisão: Plataformas como a Farmonaut otimizam a aplicação de fertilizantes, reduzindo custos em até 15%. Sensores e drones monitoram lavouras, aumentando a eficiência.
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Híbridos Adaptados: Cultivares como BRS 332 e BRS 373, resistentes a seca e pragas, elevam a produtividade em 20%.
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Rotação de Culturas: A integração com soja e milho melhora a saúde do solo e reduz custos com defensivos em 10%.
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Mercado Interno: Parcerias com indústrias de ração e etanol fortalecem a demanda local, minimizando a dependência de exportações.
Relevância do Sorgo
O sorgo é um pilar do agronegócio mato-grossense, oferecendo resiliência em cenários de incerteza climática e econômica. Sua relevância cresce com a expansão da pecuária e da bioenergia, setores que demandam insumos de baixo custo e alta disponibilidade. Segundo Lucas Costa Beber, presidente da Aprosoja-MT, “o sorgo é a cultura do futuro para a safrinha, combinando rentabilidade e sustentabilidade”. A capacidade de adaptação a solos marginais e a menor dependência de fertilizantes (30% menos que o milho) o tornam estratégico para diversificar a matriz agrícola.
Conclusão
O sorgo consolida-se como uma cultura essencial no Mato Grosso, impulsionado por sua versatilidade, baixo custo e demanda crescente. Apesar de desafios como clima, pragas e logística, a adoção de tecnologias e híbridos modernos fortalece sua competitividade. Com aumento projetado na área plantada e interesse de mercados interno e externo, o sorgo reforça o papel do estado como líder agrícola, oferecendo uma solução sustentável para o agronegócio.
Referências
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IMEA, Relatório de Custos, 2025.
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Conab, Projeções Agrícolas, 2025.
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Embrapa Milho e Sorgo, Relatório Técnico, 2024.
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Ministério da Agricultura, Dados de Exportação, 2024.
