A nova cara da agricultura mato-grossense
Mato Grosso é conhecido nacionalmente como potência da soja e da pecuária. Mas, silenciosamente, uma outra cadeia produtiva vem ganhando espaço: a fruticultura. De pomares familiares a empreendimentos comerciais irrigados, o estado começa a diversificar sua produção agrícola e a apostar em frutas tropicais como manga, banana, maracujá e goiaba.
Onde a fruticultura cresce mais
O avanço não é homogêneo. Regiões como o Nortão (Sinop, Sorriso, Lucas do Rio Verde) concentram projetos de irrigação e agroindústrias que começam a apostar em manga e maracujá. No Médio-Norte e Alto Araguaia, produtores familiares têm investido em banana e goiaba, abastecendo mercados regionais. Já no Sul e Sudoeste, iniciativas municipais incentivam pomares comunitários e pequenas agroindústrias de polpas e doces.
Principais frutas em destaque
- Manga: adaptável e com mercado crescente, tanto para consumo in natura quanto para polpas.
- Banana: forte presença em propriedades familiares, abastecendo centros urbanos.
- Maracujá: usado para sucos e polpas, com boa produtividade em áreas irrigadas.
- Goiaba e acerola: comuns em pomares familiares, com potencial para doces e geleias.
- Citrus: ainda limitado, mas com espaço em áreas irrigadas próximas a polos consumidores.
O papel das prefeituras e do governo estadual
A fruticultura não cresce sozinha. Prefeituras e o governo estadual têm papel ativo. Programas da Secretaria de Estado de Agricultura (SEAF/MT) oferecem assistência técnica, distribuição de mudas e apoio à irrigação. Linhas de crédito articuladas com bancos públicos ajudam pequenos produtores.
Prefeituras, por sua vez, investem em feiras locais, estradas vicinais e programas de compra institucional, como a merenda escolar. Essas ações garantem mercado para os produtores e estimulam a diversificação agrícola.
Desafios e oportunidades
Apesar do crescimento, os desafios são claros: falta de infraestrutura logística, necessidade de irrigação eficiente e dificuldade de acesso a crédito. Mas as oportunidades também são evidentes: agregação de valor por meio de agroindústrias locais, fortalecimento de cooperativas e expansão para mercados regionais e nacionais.
Box informativo: dados e referências
- IBGE – Produção Agrícola Municipal (PAM): mostra que a fruticultura em Mato Grosso cresce em área plantada, especialmente em manga e maracujá.
- IMEA – Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária: aponta que a diversificação agrícola é tendência, com frutas ganhando espaço em regiões irrigadas.
- SEAF/MT – Secretaria de Agricultura Familiar: programas de distribuição de mudas e assistência técnica têm fortalecido pequenos produtores.
- Embrapa e UFMT: pesquisas sobre variedades adaptadas e manejo de irrigação reforçam o potencial da fruticultura no estado.
Linha do tempo da fruticultura em Mato Grosso
- Década de 1990: fruticultura restrita a pomares familiares e consumo local.
- Anos 2000: início de programas municipais de incentivo e pequenas agroindústrias de polpas.
- 2010–2015: expansão de projetos irrigados em regiões do Nortão e Médio-Norte.
- 2016–2020: fortalecimento de cooperativas e integração com programas de merenda escolar.
- 2021 em diante: crescimento de pomares comerciais de manga e maracujá, apoio estadual e maior presença em mercados regionais.




