O consumidor brasileiro já começa a notar um alívio ao passar pelo corredor de grãos nos supermercados. Em agosto de 2026, o mercado de feijão carioca tem registrado quedas significativas, acumulando uma redução superior a 20% apenas na parcial do mês, de acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
O Que Está Puxando o Preço para Baixo?
O principal fator por trás desse barateamento é o avanço da colheita da terceira safra. A dinâmica atual do mercado é influenciada pelos seguintes pontos:
- Aumento da Oferta: Com o progresso das colhedoras nas áreas irrigadas, especialmente na região do Cerrado, um volume substancialmente maior do grão passou a circular no mercado.
- Excesso sobre a Demanda: Atualmente, o ritmo de entrada do produto supera a demanda de consumo, o que empurra as cotações para baixo de forma natural.
- Cautela dos Compradores: Diante do cenário de baixas contínuas, os compradores atacadistas têm evitado fechar negócios apressados, tornando a busca por lotes mais seletiva e contendo uma possível recuperação dos preços.
Qualidade do Grão e o Impacto no Preço
A desvalorização nas roças e nos atacados não afeta todos os tipos de feijão carioca da mesma forma:
- Lotes de Alta Qualidade: Os grãos de melhor padrão (como peneira 12 e nota 9 ou superior) vêm sendo os mais penalizados, registrando as quedas de preço mais expressivas.
- Padrão Intermediário: Os grãos de qualidade mediana também sofrem desvalorização, porém em um ritmo um pouco mais moderado em comparação aos de qualidade superior.
Produtores Mudam a Estratégia de Venda
A compressão das margens de lucro está fazendo com que os agricultores repensem o momento de negociar suas safras.
- De Venda Rápida para Armazenamento: Nas semanas anteriores, muitos priorizavam a venda imediata para gerar liquidez. Agora, com os preços em baixa, um número crescente de produtores prefere armazenar os grãos, aguardando condições mais favoráveis adiante.
- Limitação de Quedas: Essa retenção estratégica limitou a quantidade disponível por parte dos vendedores e ajudou a criar uma resistência no mercado, evitando que o aumento da oferta gerasse desvalorizações ainda mais profundas.
- Necessidade de Caixa: Apesar da tentativa de segurar o produto, a parcela de agricultores que precisa de receita a curto prazo continua vendendo seus lotes, o que mantém a pressão de baixa sobre o mercado.
O Outro Lado da Moeda: Feijão Preto e o Cenário Anual
Enquanto o feijão carioca vive um mês de alívio para os compradores, o cenário é distinto para outras variedades e no panorama anual:
- Feijão Preto Mais Firme: A disponibilidade mais restrita na entressafra, principalmente na região Sul do Brasil, tem mantido o mercado do feijão preto firme e com tendência de valorização, na contramão do carioca.
- Preços Ainda Acima de 2025: Apesar do forte barateamento registrado em agosto, o feijão carioca ainda é comercializado em patamares superiores aos observados no mesmo período de 2025. Vale lembrar que, de acordo com levantamentos baseados em notas fiscais, o preço médio da leguminosa havia disparado 96,8% entre janeiro e julho de 2026 devido a oscilações intensas no início do ano.





