El Niño voltou. E agora? | AgroNortão – Sinop – MT | 22/07/26

O El Niño voltou ao centro das atenções. Depois de meses sob monitoramento.

O El Niño voltou ao centro das atenções. Depois de meses sob monitoramento, o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial voltou a indicar a presença do El Niño e deverá influenciar o clima em diversas partes do planeta durante o segundo semestre de 2026. As projeções do Centro de Previsão Climática (CPC/NOAA), do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/INPE) e as sínteses da Organização Meteorológica Mundial (OMM) indicam que o fenômeno deverá permanecer ativo até o início de 2027. Alguns modelos apontam a possibilidade de um evento forte na primavera e no verão do Hemisfério Sul, embora ainda exista incerteza sobre sua intensidade e seus efeitos.

Mais importante do que saber se o El Niño será moderado ou forte é entender que seus impactos nunca se distribuem de forma uniforme.

O Aquecimento.

O fenômeno decorre do aquecimento persistente das águas superficiais do Pacífico Equatorial. Esse aquecimento modifica a circulação da atmosfera e influencia os regimes de chuva e temperatura em diferentes partes do mundo. Como integrante do sistema El Niño–Oscilação Sul (ENOS), manifesta-se de forma irregular, e cada episódio apresenta características próprias.

A experiência acumulada mostra alguns comportamentos recorrentes no Brasil. A Região Sul costuma registrar aumento das chuvas e maior ocorrência de eventos hidrológicos extremos. Em parte das regiões Norte e Nordeste, são mais frequentes as estiagens. Já no Centro-Oeste, a resposta do clima é mais complexa e depende da interação entre diferentes sistemas atmosféricos e oceânicos.

As projeções.

As projeções indicam temperaturas acima da média e períodos mais secos. A evolução dessas condições dependerá da interação entre o Pacífico, a atmosfera e outros sistemas climáticos, como a Oscilação Madden-Julian (MJO) e o Atlântico Tropical. É essa combinação de fatores que explica por que um mesmo episódio de El Niño pode produzir efeitos bastante diferentes entre estados e até entre áreas vizinhas.

Por isso, não há base científica para afirmar que Mato Grosso enfrentará seca generalizada ou atraso inevitável da estação chuvosa. Em um dos principais estados produtores do país, acompanhar a evolução das condições climáticas é essencial para reduzir riscos e melhorar a tomada de decisões no campo.

Temperaturas mais elevadas favorecem a evapotranspiração e reduzem a disponibilidade de água no solo. Se períodos prolongados de calor e baixa umidade se confirmarem, também aumenta o risco de incêndios florestais. Para a agricultura e a pecuária, acompanhar as informações climáticas significa planejar melhor o plantio, o manejo, a irrigação e a produção.

A ciência não prevê exatamente quando ou onde ocorrerá uma seca ou um período de chuvas intensas. Seu papel é estimar probabilidades e antecipar cenários de risco. O El Niño não determina o clima; altera apenas a chance de determinados padrões climáticos ocorrerem.

A principal lição é simples: planejar com base em informação confiável é muito mais eficaz do que agir movido pelo alarmismo ou pela falsa sensação de segurança. No campo, como na vida, boas decisões começam pelo conhecimento da realidade.

Cícero Ramos | Engenheiro florestal e vice-presidente da Associação Mato-grossense dos Engenheiros Florestais (AMEF).

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O AgroNortão é um portal de notícias e conteúdo especializado no agronegócio brasileiro, com foco no Norte de Mato Grosso e nas principais regiões produtoras do país. Referência em informações sobre agricultura, pecuária, tecnologia no campo, sustentabilidade, economia rural, mercado agrícola e inovação no agro, o portal conecta produtores rurais, empresas, investidores e profissionais do setor às principais tendências do agronegócio nacional.

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