Mato Grosso não é apenas o celeiro do Brasil, mas também o “açougue do mundo”, e 2025 sacramentou essa posição com dados que reforçam a importância econômica e o protagonismo do estado no mercado global de carnes. O estado ultrapassou São Paulo e se consolidou como o maior exportador de carne bovina para a China no acumulado do ano, um marco que sublinha a força de sua pecuária.
O Salto da Exportação: Dados que Comprovam a Liderança
Os números do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) e da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) desenham um cenário de crescimento expressivo, impulsionado, sobretudo, pela demanda chinesa.
| Indicador | Período (Jan-Set/2025) | Dados Relevantes | Fonte |
| Volume Total Exportado (MT) | Jan a Set/2025 | 646,9 mil toneladas para 89 países | Imea |
| Volume Exportado para a China | Jan a Set/2025 | 351,3 mil toneladas (ultrapassando São Paulo) | Imea |
| Participação da China no Total | Jan a Jul/2025 | Mais de 51,5% do volume total exportado | IMAC |
| Receita Acumulada | Jan a Set/2025 | Cerca de US$ 3 bilhões | Imea |
| Preço Médio por Tonelada | Jan a Set/2025 | US$ 5,3 mil | Imea |
Em comparação: No primeiro semestre de 2025, o crescimento nas exportações de Mato Grosso foi de 5,7% em relação ao mesmo período de 2024, atingindo 368,8 mil toneladas. A China, nesse período, importou 182,7 mil toneladas, representando 49,5% do total.
O desempenho recorde é reflexo de fatores como:
- Demanda Chinesa Aquecida: A China se mantém como o principal motor do crescimento, sendo o destino da maior fatia da produção mato-grossense.
- Rebanho de Excelência: Mato Grosso possui um dos maiores rebanhos bovinos do país, com cerca de 34 milhões de cabeças, investindo consistentemente em genética, sanidade e rastreabilidade.
- Câmbio Favorável: A desvalorização do Real frente ao Dólar torna o produto brasileiro mais competitivo no mercado internacional.
- Qualidade e Sustentabilidade: O setor tem investido na imagem de uma pecuária que concilia produtividade e conservação, ganhando a confiança de mercados mais exigentes.
O Papel Estratégico da Frialto: Resiliência e Habilitação
No contexto da gigantesca máquina exportadora de Mato Grosso, frigoríficos como a Frialto são peças-chave.
A Frialto, com planta localizada estrategicamente em Matupá, no norte do estado, é um exemplo da indústria que alimenta essa exportação. Sua presença no mercado internacional, e a busca contínua por eficiência e qualidade, contribui diretamente para os volumes recordes do estado.
Embora o setor enfrente desafios — como a suspensão temporária de unidades por questões sanitárias (como ocorreu com a Frialto e outras grandes empresas no passado devido a rastreamento de traços de COVID-19 em embalagens em 2022) —, a capacidade de rápida retomada e o cumprimento de rigorosos padrões internacionais atestam a resiliência e a seriedade do complexo frigorífico mato-grossense.
Empresas como a Frialto, ao manterem as habilitações para o exigente mercado chinês, garantem o escoamento da produção e solidificam a infraestrutura necessária para sustentar o volume de exportação.
Perspectivas e Próximos Passos: Missão China e Sustentabilidade
Para consolidar e expandir ainda mais esse protagonismo, uma comitiva de Mato Grosso, incluindo o Instituto Mato-Grossense da Carne (Imac) e a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), cumpriu agenda na China em novembro de 2025. O objetivo da missão é:
- Estreitar Relações: Fortalecer os laços comerciais e aumentar a confiança.
- Abrir Novos Canais: Explorar o potencial de províncias do interior chinês.
- Promover a Sustentabilidade: Destacar a qualidade e as práticas sustentáveis da carne mato-grossense, um diferencial competitivo.
A liderança de Mato Grosso no mercado chinês não é apenas um recorde de volume, mas um reflexo da eficiência de uma cadeia produtiva que gera receita, empregos e consolida o estado como um ator fundamental na segurança alimentar global.
Referência: Dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), Instituto Mato-Grossense da Carne (Imac) e Secretaria de Comércio Exterior (Secex), compilados em relatórios e notícias do setor até novembro de 2025.
