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SOS Trigo: Produtores do Sul Clamam por Apoio Governamental Diante da Crise de Preços e Importação Recorde

A safra de trigo no Sul do Brasil, vital para a segurança alimentar e economia regional, enfrenta uma crise sem precedentes. Com a concorrência do trigo importado a preços historicamente baixos e custos de produção elevados, produtores pressionam o governo por medidas de apoio urgentes para evitar uma quebra generalizada e o desestímulo à cultura.


A colheita de trigo avança a passos largos no Sul do Brasil, mas a euforia de uma boa produtividade está sendo ofuscada por uma amarga realidade: o preço de venda do grão nacional despencou, e em muitas regiões, já está abaixo do custo de produção. A principal causa dessa crise é a inundação do mercado brasileiro por trigo importado, que, impulsionado por uma oferta global abundante e preços internacionais atrativos, chega ao país a valores que não eram vistos em quase cinco anos.

 

O Cenário Devastador dos Preços

 

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) confirmaram que o preço médio do trigo importado em setembro de 2025 foi de US$ 230,09 por tonelada. Para o produtor brasileiro, que paga seus insumos em dólar, mas vende em real, a conta não fecha.

  • Preços Nacionais em Queda Livre: No Paraná, um dos maiores produtores, o preço médio pago ao agricultor chegou a R$ 64,94 por saca de 60kg em meados de outubro. O problema é que o custo de produção, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral/PR), está em torno de R$ 74,63 por saca. Isso significa que o produtor está operando com um prejuízo médio de quase R$ 10,00 por saca, ou aproximadamente R$ 166,00 por tonelada.
  • Mercado Travado: Moinhos e cerealistas têm preferido o trigo importado, mais barato, travando a comercialização da safra nacional. Os armazéns estão cheios, e a liquidez para o produto brasileiro é mínima.

 

A Voz do Campo: Pressão Sobre o Governo

 

Diante da gravidade da situação, entidades representativas dos produtores rurais do Sul do país intensificaram a pressão sobre o Governo Federal e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

  • FARSUL e FAEP na Linha de Frente: A Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (FARSUL) e a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP), juntamente com cooperativas e sindicatos rurais, emitiram notas e realizaram reuniões com autoridades em Brasília. O clamor é unânime: medidas de apoio urgentes são necessárias para evitar o colapso da triticultura.
  • Pauta de Reivindicações: As principais solicitações incluem:
    • Linhas de Crédito Emergenciais: Para auxiliar os produtores a cobrir os custos e a armazenar a produção até que os preços melhorem.
    • Subvenção para Escoamento: Mecanismos que incentivem a compra do trigo nacional, como leilões de Prêmio para Escoamento de Produto (PEP) ou de Aquisição do Governo Federal (AGF).
    • Revisão Tarifária: Avaliação de possíveis medidas tarifárias ou cotas para a importação de trigo em períodos de colheita nacional, visando proteger o mercado interno.
    • Renegociação de Dívidas: Facilitação na renegociação de financiamentos agrícolas para produtores de trigo.

 

Dados que Preocupam

 

  • Volume de Importação: Em setembro de 2025, o Brasil importou o maior volume de trigo para o mês desde 2007. No acumulado do ano, já são mais de 5,249 milhões de toneladas, um volume que distorce completamente o equilíbrio entre oferta e demanda interna.
  • Perspectiva para 2026: Especialistas temem que, se não houver um apoio efetivo, muitos produtores podem reduzir drasticamente a área de plantio de trigo na próxima safra (2026), buscando culturas mais rentáveis ou simplesmente abandonando a atividade. Isso teria um impacto severo na segurança alimentar do país e na economia das regiões tritícolas.

 

Impacto Além da Lavoura

 

A crise do trigo vai além do prejuízo direto ao agricultor. Afeta toda a cadeia produtiva, desde os fornecedores de insumos até as cooperativas, empresas de logística e o comércio local. A triticultura é uma importante geradora de empregos e renda no Sul do Brasil, e sua fragilização pode ter consequências sociais e econômicas amplas.

O governo, agora sob intensa pressão, avalia as opções. A resposta rápida e eficaz será determinante para o futuro da cultura do trigo no Brasil e para a resiliência do agronegócio nacional.

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