Data: 15 de Outubro de 2025 Atualização: Os preços do trigo no mercado brasileiro continuam sob forte pressão. O volume recorde de importação com preços historicamente baixos tem travado o mercado interno e gerado prejuízos significativos aos agricultores, especialmente no Sul do país.
A competitividade avassaladora do trigo estrangeiro está reescrevendo a dinâmica do mercado nacional de cereais. Em um cenário de colheita avançada no Sul do Brasil, os produtores enfrentam um mercado travado e preços em queda, devido à entrada massiva de trigo importado a valores que não eram vistos em quase cinco anos.
O Fator Preço: US$ 230 por Tonelada
O principal motor dessa pressão é o preço médio do trigo importado. Dados recentes da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), analisados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), revelam que o preço médio do trigo importado em setembro de 2025 foi de US$ 230,09 por tonelada.
Este é o valor mais baixo registrado desde novembro de 2020. Em termos de moeda nacional, considerando o câmbio médio de R$ 5,368 em setembro, esse preço se traduz em aproximadamente R$ 1.235,12 por tonelada.
Impacto no Mercado Doméstico e Preços Atuais
A enxurrada de trigo mais barato no mercado tem forçado as cotações do produto nacional para baixo, reduzindo a liquidez e a rentabilidade dos agricultores brasileiros.
Fonte: Cepea, Deral/PR, Notícias Agrícolas, 14 e 15/10/2025. Nota: A cotação em Chicago para o contrato Dezembro/25 está em torno de US$ 5,00/bushel (cerca de US$ 183,72/tonelada), refletindo a tendência de queda no mercado internacional.
Realidade do Produtor: No Paraná, um dos maiores estados produtores, o preço médio pago ao produtor (R$ 64,94/saca, em média) está abaixo do custo de produção estimado pelo Deral, que é de R$ 74,63 por saca, o que amplia o prejuízo da safra.
Volume Recorde de Importação e o Alerta para 2026
O baixo preço do trigo internacional estimulou o Brasil a importar em setembro o maior volume para o período desde 2007. No acumulado do ano, já são mais de 5,249 milhões de toneladas importadas, volume que intensifica a competição e esmaga o poder de negociação do produto nacional.
Com moinhos retraídos nas compras e dificuldades no escoamento da colheita, os produtores brasileiros de trigo enfrentam um risco de retração nos investimentos em tecnologia e, possivelmente, na área plantada para a próxima safra (2026), caso este cenário desfavorável persista.
A situação exige cautela na comercialização e atenção total ao mercado internacional e à política cambial, que, somada à colheita no Sul, tende a manter as margens estreitas nas próximas semanas.
