Chicago, setembro de 2025 — Os contratos futuros da soja seguem em trajetória de baixa na Bolsa de Chicago, refletindo uma combinação de fatores externos que têm impactado diretamente o mercado internacional de commodities agrícolas.
Cotações em queda
Na sessão de segunda-feira (22), o contrato de novembro da soja caiu 1,49%, sendo negociado a US$ 10,1025 por bushel, enquanto o contrato de janeiro recuou 1,36%, fechando em US$ 10,3050. Essa tendência de desvalorização já vinha se desenhando desde a semana anterior, com perdas acumuladas de mais de 14 pontos.
Argentina suspende impostos de exportação
Um dos principais gatilhos para essa queda foi a decisão do governo argentino de suspender temporariamente as retenciones, impostos sobre exportações de grãos e derivados. A medida, válida até 31 de outubro, visa acelerar a liquidação dos estoques internos e gerar até US$ 7 bilhões em arrecadação.
- Antes da suspensão, a soja era tributada em 26%, e seus derivados em 24,5%.
- A Argentina é o maior exportador mundial de farelo e óleo de soja, o que amplia sua competitividade no mercado global.
Colheita e plantio nos EUA pressionam ainda mais
Nos Estados Unidos, o avanço da colheita de milho e soja também contribui para o viés de baixa. Apesar de algumas áreas apresentarem produtividade abaixo do esperado, a perspectiva de uma safra recorde mantém os preços pressionados.
- A previsão de chuvas no cinturão agrícola norte-americano pode desacelerar o ritmo da colheita, mas não o suficiente para reverter a tendência de queda.
- A ausência de compras oficiais da China — principal importador global — também tem afetado os embarques americanos, que registraram queda de 41% nesta semana.
Impacto no mercado internacional
A combinação entre maior oferta argentina, safra robusta nos EUA e demanda chinesa retraída cria um cenário de excesso de oferta e cautela na demanda, o que reforça o movimento de baixa nas cotações.
Segundo analistas da TF Agroeconômica e da consultoria Granar, o mercado deve continuar sob pressão no curto prazo, com pouca margem para recuperação até que haja uma mudança significativa na demanda ou nas políticas comerciais.
Fontes:
Globo Rural | Agrolink | Notícias Agrícolas
