O número de empresas do setor agropecuário em recuperação judicial no Brasil atingiu um recorde no primeiro semestre de 2025, com 4.965 companhias em processo ativo, representando um aumento de 17,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse cenário tende a se agravar devido ao chamado “tarifaço” dos Estados Unidos, que prevê sobretaxas de até 50% em importações brasileiras, impactando especialmente exportadores de soja, carnes e açúcar CompreRura.
Dados da Serasa Experian indicam que, no primeiro trimestre de 2025, foram registrados 389 pedidos de recuperação judicial ligados ao agronegócio, um aumento de 44,6% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Dentre esses, destacam-se 195 pedidos de produtores pessoa física (alta de 83,9%), 113 de produtores pessoa jurídica (crescimento de 31%) e 81 de empresas da cadeia agroindustrial (aumento de 5,1%).
Especialistas alertam que as sanções externas ampliam os riscos para o setor, encarecendo custos logísticos e reduzindo margens de lucro. O advogado Antônio Frange Júnior destaca que a recuperação judicial deve ser vista como uma ferramenta moderna de gestão de crise, permitindo a reorganização financeira sem comprometer ativos produtivos. Ele enfatiza a importância de um planejamento estratégico antecipado, especialmente em setores dependentes do mercado externo.
Economistas projetam que, mantidas as condições atuais de juros altos e pressões externas, o Brasil pode encerrar 2025 com o maior número de recuperações judiciais já registrado, afetando principalmente segmentos com maior exposição internacional e margens mais estreitas, como transporte, agroindústria e pequenos produtores rurais
