Setembro chegou, mas as chuvas não. E isso está deixando os produtores de soja em Mato Grosso com a mão na enxada e o olho no céu. A semeadura da safra 2025/26, autorizada para começar em 7 de setembro, pode atrasar em diversas regiões do estado devido à ausência de precipitações significativas.
Clima Travado: Semeadura em Risco
Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), os próximos 15 dias devem apresentar chuvas insuficientes para viabilizar o plantio logo após o fim do vazio sanitário. Isso eleva o risco de:
• Problemas na germinação das sementes
• Concentração da colheita em fevereiro, período de chuvas intensas
• Plantio do milho safrinha fora da janela ideal, especialmente no sul do estado
Projeções de Produção: Queda Confirmada
Mesmo mantendo a área plantada em 13,01 milhões de hectares, o Imea estima uma produção de 47,1 milhões de toneladas de soja — 7,2% menor do que a safra anterior. A produtividade média deve cair para 60,45 sacas por hectare, uma retração de 8,81% frente ao recorde de 2024/25.
Pressão Econômica: Investimentos em Queda
Além do clima, os produtores enfrentam:
• Preços futuros da soja em baixa
• Custos de produção elevados
• Taxas de juros ainda altas
Esses fatores estão limitando os investimentos em insumos e tecnologias agrícolas, o que pode comprometer ainda mais o desempenho da safra.
Consequências Fiscais e Logísticas
Com o agro representando mais da metade do PIB estadual, qualquer queda na produção afeta diretamente a arrecadação da SEFAZ. A logística também preocupa:
• Estradas precárias dificultam o escoamento
• Armazéns concentrados nas mãos de poucos grupos
• Fila de caminhões e falta de estrutura para armazenagem
Conclusão: A safra 2025/26 em Mato Grosso começa sob forte tensão climática e econômica. O atraso nas chuvas, somado à pressão financeira e à infraestrutura limitada, exige planejamento urgente e apoio técnico para evitar perdas bilionárias.
