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A Rota da Banana: Mato Grosso transforma a bananicultura em potência econômica e social

Mato Grosso, conhecido por sua força no agronegócio, está consolidando a bananicultura como um pilar de desenvolvimento econômico e social com o projeto “Rota da Banana: Sustentabilidade na Bananicultura”. Lançada em 13 de junho de 2025, no cinturão verde Facão, em Cáceres, a iniciativa do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) integra 24 municípios da região Oeste do estado, conectando produtores, agroindústrias e mercados consumidores em uma cadeia produtiva sustentável e lucrativa. Com um investimento de R$ 1,3 milhão e execução pela Organização da Sociedade Civil (OSC) Lírios, o projeto promete transformar pequenos sítios em negócios viáveis, beneficiando mais de 600 mil pessoas.Um marco para a agricultura familiarA banana-da-terra, símbolo da culinária e da cultura mato-grossense, é o coração da iniciativa. A Rota da Banana foca na capacitação técnica, melhoria logística e acesso ao mercado, enfrentando gargalos que historicamente limitam a agricultura familiar. “Estamos ligando quem produz a quem consome, trabalhando em toda a cadeia produtiva e superando desafios para alavancar a produção”, destacou o ministro Carlos Fávaro durante o lançamento. Ele enfatizou o potencial econômico da cultura: em apenas um hectare, é possível alcançar uma renda bruta de cerca de R$ 120 mil por ano.O projeto abrange municípios como Cáceres, Poconé, Pontes e Lacerda, Várzea Grande, entre outros, onde a produção de banana já é significativa. Em 2021, Mato Grosso produziu cerca de 72 mil toneladas da fruta em mais de 80 municípios, segundo o IBGE, consolidando o estado como um polo relevante na bananicultura nacional. A iniciativa visa profissionalizar ainda mais o setor, com foco em sustentabilidade e inovação.Impacto econômico e socialA Rota da Banana não é apenas uma política agrícola, mas uma estratégia de fortalecimento social. Pequenos produtores, como Ciro Cercino dos Santos, que cultiva 6 mil bananeiras em três hectares em Cáceres, ilustram o potencial transformador do projeto. Sua produção, transformada em banana chips e comercializada regionalmente, é exemplo de como a integração com a agroindústria pode gerar renda e valor. Ciro foi homenageado por sua contribuição na validação da variedade BRS Terra Anã, conhecida por sua produtividade e resistência.A coordenadora do projeto, Maria Fernanda Figueiredo, ressalta o caráter social da iniciativa: “É uma resposta concreta para fortalecer a agricultura familiar, da lavoura ao consumo.” A prefeita de Cáceres, Eliene Liberato, complementa, destacando que o projeto renova o ânimo dos agricultores, muitos dos quais enfrentavam dificuldades para permanecer no campo. Cerca de 500 produtores, estudantes e técnicos agropecuários participaram do Dia de Campo da Rota da Banana, demonstrando o engajamento da comunidade.Sustentabilidade e inovaçãoAlém do impacto econômico, a Rota da Banana prioriza a sustentabilidade. A Embrapa, referência em pesquisa agrícola, tem contribuído com tecnologias como a BRS Terra Anã e práticas para prevenir doenças como a sigatoka amarela e a murcha de Fusarium, que ameaçam a produtividade. A pesquisa da Empaer, em parceria com Lucas do Rio Verde, também desenvolve variedades adaptadas à agricultura familiar, com resultados promissores, como cachos com 10 a 12 pencas e média de 20 frutos por penca.A iniciativa também aborda desafios logísticos, como o escoamento da produção, visando alcançar supermercados de Mato Grosso e, futuramente, outros estados. “O projeto vai possibilitar vender a banana em todos os supermercados do estado e depois comercializá-la em outros centros de abastecimento e logística”, afirmou Fávaro.Um futuro promissorCom a Rota da Banana, Mato Grosso reforça seu papel como potência agrícola, agora com um olhar estratégico para a bananicultura. A integração entre produtores, agroindústrias e mercados, aliada à capacitação e à sustentabilidade, promete não apenas aumentar a renda no campo, mas também promover a inclusão social e a permanência de famílias na agricultura. Como disse a prefeita Eliene, “é um respiro para os agricultores”, que agora veem na banana não só uma fruta, mas um ativo econômico de peso para o estado
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