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O Início do Agronegócio em Mato Grosso: A Transformação do Celeiro do Brasil

O estado de Mato Grosso, conhecido como o “celeiro do Brasil”, é hoje um dos principais pilares do agronegócio brasileiro, liderando a produção de commodities como soja, milho, algodão e carne bovina. No entanto, a ascensão de Mato Grosso como potência agropecuária é um fenômeno relativamente recente, com raízes na segunda metade do século XX. Este artigo explora o início do agronegócio no estado, destacando os fatores históricos, econômicos e tecnológicos que transformaram a região em um gigante agrícola, com base em dados recentes e confiáveis.

Contexto Histórico: As Bases do Agronegócio em Mato Grosso

O desenvolvimento do agronegócio em Mato Grosso ganhou impulso significativo a partir da década de 1970, embora a ocupação agrícola da região tenha começado de forma tímida no início do século XX. Até meados do século passado, a economia do estado era predominantemente baseada na extração de recursos naturais, como a borracha e a mineração, com a agricultura limitada à subsistência.

A virada para o agronegócio em larga escala ocorreu com a abertura do Cerrado para a agricultura moderna, impulsionada por políticas públicas e investimentos privados. Durante a década de 1970, o governo brasileiro implementou programas como o Programa para o Desenvolvimento do Cerrado (Polocentro) e o Programa de Cooperação Nipo-Brasileira para o Desenvolvimento do Cerrado (Prodecer). Esses programas ofereceram incentivos financeiros, como linhas de crédito e assistência técnica, para atrair produtores e empresas agroindustriais ao estado. A fertilidade potencial dos solos do Cerrado, combinada com técnicas de correção de solo (como a calagem para neutralizar a acidez), tornou a região viável para o cultivo intensivo de grãos.

O Papel da Soja e a Expansão Agrícola

A soja foi a principal cultura que colocou Mato Grosso no mapa do agronegócio brasileiro. Na década de 1980, o Brasil buscava aumentar suas exportações agrícolas para equilibrar a balança comercial, e Mato Grosso emergiu como uma nova fronteira agrícola devido à sua vasta extensão territorial (cerca de 900 mil km²) e à disponibilidade de terras a preços acessíveis. A introdução de tecnologias de manejo e cultivares adaptados ao clima tropical foi fundamental para o sucesso da sojicultura.

Dados do Censo Agropecuário de 2017 do IBGE mostram que, já naquele ano, Mato Grosso produzia 29,8 milhões de toneladas de soja em 7,1 mil estabelecimentos agropecuários, consolidando-se como o maior produtor nacional. Em 2023, segundo o IBGE, a produção de soja no estado atingiu 38,03 milhões de toneladas, representando 32% do total nacional, com um valor de produção de R$ 105 bilhões. A cidade de Sorriso, conhecida como a “capital mundial da soja”, tornou-se um símbolo desse crescimento, liderando a produção estadual e nacional.

Além da soja, o milho também ganhou destaque, especialmente com o cultivo da “safrinha” (segunda safra). Em 2023, Mato Grosso produziu 38,33 milhões de toneladas de milho, equivalente a 35% da produção brasileira, com um valor de produção de R$ 42 bilhões. A área dedicada ao milho atingiu 6,42 milhões de hectares, com produtividade média de 6 toneladas por hectare.

Pecuária e Outras Commodities

Paralelamente à agricultura, a pecuária também desempenhou um papel crucial no desenvolvimento do agronegócio em Mato Grosso. O estado possui o maior rebanho bovino do Brasil, com 34,1 milhões de cabeças em 2023, segundo o Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea). Em 2017, o Censo Agropecuário registrou 24,3 milhões de cabeças de gado, que produziram 760 milhões de litros de leite e contribuíram para a geração de 145 milhões de dúzias de ovos a partir de 53,5 milhões de aves.

Outras culturas importantes incluem o algodão, com 4,4 milhões de toneladas produzidas em 2023 (71% do total nacional), e a cana-de-açúcar, com 17,35 milhões de toneladas. Esses números refletem a diversificação da base produtiva do estado, que também inclui culturas como arroz, mandioca, sorgo, banana, abacaxi e café.

Impactos Econômicos e Sociais

O crescimento do agronegócio transformou a economia de Mato Grosso. Entre 1999 e 2012, o PIB estadual saltou de R$ 12,3 bilhões para R$ 80,8 bilhões, um crescimento de 554%, muito superior à média nacional de 312% no mesmo período. Em 2022, o PIB do estado alcançou R$ 255,5 bilhões, com o agronegócio respondendo por 56% do total, segundo o IBGE. Em 2023, a produção agrícola do estado gerou R$ 175 bilhões, equivalente a 21% do valor da produção agrícola brasileira.

O setor também impulsionou a geração de empregos. Em 2017, o agronegócio empregava 422,5 mil pessoas diretamente em atividades agropecuárias, além de criar oportunidades indiretas em setores como pesquisa, tecnologia e logística. Em 2025, o estado registrou 41 mil novos postos de trabalho no primeiro semestre, com o agronegócio respondendo por 5.133 vagas formais, destacando cidades como Cuiabá, Sapezal, Várzea Grande e Primavera do Leste.

Sustentabilidade e Inovação

Apesar do crescimento exponencial, o agronegócio em Mato Grosso enfrenta desafios, como a variabilidade climática e a necessidade de preservação ambiental. Dados do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) indicam que, em 2024, a Amazônia registrou o segundo ano consecutivo de queda no desmatamento, com Mato Grosso contribuindo para essa tendência. Cerca de 62% do território estadual permanece preservado, e iniciativas como a Show Safra e pesquisas da Fundação Rio Verde têm promovido técnicas sustentáveis, como o cultivo de milho safrinha e o manejo integrado de pragas.

A inovação tecnológica também é um pilar do sucesso do agronegócio mato-grossense. A adoção de agricultura de precisão, drones e sistemas de irrigação avançados aumentou a produtividade e reduziu os impactos ambientais. O Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA) e o Sistema Famato desempenham papéis cruciais, fornecendo dados de mercado e capacitação para mais de 33 mil produtores.

Conclusão

O início do agronegócio em Mato Grosso, a partir da década de 1970, marcou uma transformação profunda na economia e na sociedade do estado. Impulsionado por políticas públicas, investimentos em tecnologia e pela dedicação de produtores pioneiros, Mato Grosso evoluiu de uma região de economia extrativista para a maior potência agropecuária do Brasil. Dados recentes, como a produção de 38 milhões de toneladas de soja e milho em 2023 e um PIB agropecuário de R$ 175 bilhões, confirmam a relevância do estado no cenário nacional e global. Com um futuro promissor, Mato Grosso continua a liderar o agronegócio brasileiro, equilibrando produtividade, inovação e sustentabilidade.

Referências:

  • IBGE (Censo Agropecuário 2017, Produção Agrícola Municipal 2023)

  • Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA)

  • Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA)

  • Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon)

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