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Armazenagem de Grãos em Mato Grosso em 2025: Capacidade Insuficiente Desafia Produção em Sorriso Por Redação, 5 de agosto de 2025

Por Redação, 5 de agosto de 2025

Mato Grosso, maior produtor de grãos do Brasil, enfrenta um desafio persistente na armazenagem de sua safra recorde, com impactos significativos em Sorriso, a “capital nacional do agronegócio”. Em 2025, a capacidade insuficiente de silos e armazéns limita a competitividade do setor, enquanto condições climáticas adversas e tensões comerciais, como as tarifas de 50% dos EUA a partir de 6 de agosto, intensificam a pressão sobre logística e preços.

Capacidade de Armazenagem em Mato Grosso
Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a safra 2024/25 de grãos (soja, milho e outros) em Mato Grosso atingiu 104,91 milhões de toneladas. No entanto, a capacidade estática de armazenagem no estado é de apenas 52,32 milhões de toneladas, suficiente para estocar apenas 49,86% da produção. Essa limitação, relatada pela Conab e Aprosoja-MT, reflete o crescimento da produção agrícola (9,89% ao ano desde 2010/11) em comparação com o aumento modesto da infraestrutura de estocagem (4,25% no mesmo período).

Em Sorriso, maior município produtor de grãos do Brasil, a situação é crítica. A cidade produziu cerca de 2,5 milhões de toneladas de soja e 1,8 milhão de toneladas de milho na safra 2024/25, mas a capacidade local de armazenagem cobre apenas 45% dessa produção, segundo estimativas do Imea. Isso força os produtores a dependerem de armazéns de terceiros, transporte imediato para portos ou armazenamento inadequado, aumentando custos e perdas pós-colheita (estimadas em 5-10% da safra).

Impactos da Capacidade Insuficiente

  • Custos Logísticos: A falta de silos em Sorriso eleva os custos de transporte, já que grande parte dos grãos precisa ser enviada diretamente para portos como Santos (SP) ou Paranaguá (PR), a mais de 2.000 km. O Imea estima que o custo logístico em Mato Grosso representa 20-25% do valor da safra.

  • Perdas de Qualidade: A armazenagem improvisada, como em silos-bolsa ou ao ar livre, aumenta a exposição a pragas e umidade, comprometendo a qualidade dos grãos, especialmente milho, que exige condições controladas.

  • Competitividade: A capacidade insuficiente reduz a flexibilidade dos produtores para negociar preços, forçando vendas imediatas em períodos de baixa cotação, como observado em julho de 2025, quando a soja em Sorriso caiu para R$ 111,38 por saca (Imea).

Iniciativas e Perspectivas

  • Investimentos em Infraestrutura: A Aprosoja-MT e o governo estadual lançaram o programa “Armazena MT” em 2024, com incentivos fiscais para construção de silos. Em Sorriso, cooperativas como a Coopernova planejam aumentar a capacidade em 200 mil toneladas até 2026. A pavimentação da Agroestrada Linha Norte, iniciada em 2025, também facilita o escoamento, reduzindo a pressão sobre armazéns locais.

  • Tecnologias de Armazenagem: A adoção de silos com controle de temperatura e umidade, apoiada pela Embrapa, começa a ganhar tração em Sorriso, embora os altos custos limitem a escala.

  • Sustentabilidade: Com a COP30 em novembro de 2025, o foco em práticas sustentáveis inclui a modernização de armazéns para reduzir perdas e emissões, alinhando-se à EUDR (Regulamentação de Desmatamento da UE).

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