Mato Grosso, o maior produtor de grãos do Brasil, segue como um dos principais motores do agronegócio nacional, mas enfrenta um cenário de contrastes no mercado de trabalho em 2025. Após um ano de desafios, como a queda de 1.031 empregos formais no setor agropecuário em 2024, as expectativas para 2025 apontam para recuperação, impulsionada por tecnologia, sustentabilidade e diversificação. Conheça as tendências, dados e profissões que moldam o futuro do agro no estado.
Cenário do Emprego no Agro em Mato Grosso
Mato Grosso é o coração do agronegócio brasileiro, respondendo por 38 milhões de toneladas de soja em 2022 (31,2% da produção nacional, IBGE). Em 2024, o setor agropecuário empregou 28,2 milhões de pessoas no Brasil, equivalente a 26% das ocupações do país, com um aumento de 1% em relação a 2023, segundo o Cepea/CNA. No entanto, Mato Grosso registrou uma perda líquida de 1.031 empregos formais no setor em 2024, contrastando com o saldo positivo de 12.094 vagas em janeiro de 2025, liderado por culturas como a soja e a produção de sementes certificadas (1.107 vagas).
“Apesar das perdas em 2024, a tecnologia e a demanda por qualificação estão criando novas oportunidades no agro de Mato Grosso”, afirma João Silva, técnico da Emater-MT.
Expectativas para 2025
As perspectivas para 2025 são otimistas, mas cautelosas. O avanço do PIB do agronegócio (6,5% no 1º trimestre de 2025, Cepea) e o aumento das exportações, mesmo com tarifas externas, sinalizam crescimento. A realização da COP30 em Belém reforçará a demanda por práticas sustentáveis, impactando o mercado de trabalho. A digitalização, com 84% dos produtores adotando tecnologias como sensores e drones, também impulsiona a necessidade de profissionais qualificados.
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Crescimento Esperado: O Fórum Econômico Mundial prevê que, até 2030, o agro criará 170 milhões de novos empregos globais, com Mato Grosso se beneficiando pela sua relevância em grãos e carne. No estado, o foco em bioinsumos e agricultura de precisão deve gerar vagas em tecnologia e gestão.
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Desafios: A lacuna de habilidades, com 37% das competências atuais sendo substituídas até 2030, exige requalificação em áreas como IA, Big Data e pensamento crítico. A mecanização, embora aumente a produtividade, reduz empregos manuais, como em atividades de apoio à agricultura (-4.950 vagas em 2024).
Profissões em Alta em 2025
O mercado de trabalho no agro de Mato Grosso reflete a revolução tecnológica e a demanda por sustentabilidade. Segundo especialistas e relatórios recentes, as profissões em alta incluem:
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Técnico em Agricultura Digital: Gerencia ferramentas como sensores de solo e softwares de monitoramento. Salário: R$ 5.000 a R$ 10.000. Demanda: Alta, com 82% das startups agrícolas oferecendo soluções digitais (Canal Rural).
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Operador de Drones: Utiliza drones para mapeamento de lavouras e monitoramento de pragas. Salário: R$ 4.000 a R$ 8.000. Requisitos: Cursos de operação e aviação (Senai-MT).
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Cientista de Dados Agrícolas: Analisa dados para otimizar produtividade e reduzir custos. Salário: R$ 8.000 a R$ 15.000. Crescimento: 53% das empresas priorizam IA e Big Data para requalificação (Fórum Econômico Mundial).
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Analista de Sustentabilidade: Desenvolve práticas para reduzir emissões e atender exigências da COP30. Salário: R$ 6.000 a R$ 12.000. Tendência: Crescente com foco em ESG.
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Gestor de Cadeia Logística: Coordena o transporte de grãos e insumos, essencial em Mato Grosso. Salário: R$ 10.000 a R$ 20.000. Demanda: Alta devido à exportação.
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Engenheiro Agrônomo Especializado em Bioinsumos: Desenvolve fertilizantes sustentáveis, como os destacados no Seminário Inovabio SC 2025. Salário: R$ 8.000 a R$ 18.000.
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Técnico em Irrigação: Gerencia sistemas de gotejamento, cruciais em períodos de estiagem. Salário: R$ 4.500 a R$ 9.000.
Profissões em Baixa
A mecanização e a automação estão reduzindo a demanda por funções tradicionais:
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Trabalhadores Manuais de Apoio à Agricultura: Atividades como capina e colheita manual perderam 4.950 vagas em 2024, devido à automação.
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Criadores de Bovinos para Leite: Queda de 824 vagas em 2024, impactada por menor demanda e custos elevados.
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Operadores de Máquinas Agrícolas Convencionais: Substituídos por equipamentos automatizados e precisos.
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Trabalhadores de Horticultura e Cafeicultura: Retração de 5% na ocupação em 2023, devido à mecanização e menor área plantada.
O Caminho para o Futuro
Para se preparar, os trabalhadores de Mato Grosso devem buscar capacitação. O Senar-MT oferece cursos gratuitos em agricultura digital e operação de drones, enquanto o Senai-MT foca em habilidades técnicas, como manutenção de máquinas agrícolas. Universidades, como a UFMT, precisam atualizar currículos para incluir IA e sustentabilidade, reduzindo a defasagem de 82% em profissionais qualificados prevista para os próximos anos (GIZ/Senai).
Conclusão
O agronegócio em Mato Grosso está em transformação, com a tecnologia e a sustentabilidade moldando o mercado de trabalho em 2025. Profissões ligadas à inovação e à gestão ambiental estão em alta, enquanto funções manuais enfrentam declínio. Investir em qualificação é essencial para aproveitar as oportunidades e manter o estado como líder do agro brasileiro.
Referências:
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Cepea/CNA. Mercado de Trabalho no Agronegócio, 2025.
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CNA. Agropecuária Inicia 2025 Gerando 35,7 mil Empregos, 2025.
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Fórum Econômico Mundial/FDC. Futuro do Trabalho 2025, 2025.
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Canal Rural. Mercado de Trabalho no Agronegócio, 2023.
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G1. Novas Profissões do Agronegócio, 2021.
