Na capital nacional do agronegócio, Sorriso, a criação de caprinos está se tornando uma história de sucesso no campo mato-grossense. Conhecida por sua produção de soja e milho, a cidade abraça a caprinocultura como uma alternativa para diversificar a economia rural, oferecendo oportunidades para pequenos produtores e famílias que buscam renda extra com carne e leite de cabra. Com incentivos fiscais e apoio técnico, Sorriso se destaca no cenário estadual, integrando a rusticidade dos caprinos à potência agrícola da região. Este artigo explora o crescimento da caprinocultura em Sorriso, as regiões de criação no estado, dados atualizados de 2025 e o papel do Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (Indea-MT) em transformar sonhos rurais em realidade.
1. A Caprinocultura em Mato Grosso: Um Panorama Crescente
A criação de caprinos faz parte da ovinocaprinocultura, que inclui cabras e ovelhas, e tem crescido em Mato Grosso com taxas de até 27% ao ano, segundo dados históricos do Indea-MT. Em 2013, o estado contava com 1,4 milhão de cabeças de ovinos e caprinos, e estimativas do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMA-MT) indicam que, em 2024, cerca de 420 mil caprinos compõem 30% desse total. Em 2025, a caprinocultura continua a expandir, impulsionada por políticas públicas e pela rusticidade dos animais, que se adaptam bem ao clima tropical.
Incentivos que Fazem a Diferença
A Resolução nº 239/2025, aprovada pelo Conselho Deliberativo dos Programas de Desenvolvimento de Mato Grosso (Condeprodemat), trouxe incentivos fiscais para operações com produtos caprinos, como carne e leite, reduzindo custos e atraindo novos criadores. A parceria entre a Associação Mato-Grossense dos Criadores de Ovinos e Caprinos (Ovinomat), a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-MT) tem fortalecido a capacitação de produtores, especialmente em Sorriso.
2. Onde os Caprinos Prosperam em Mato Grosso
A caprinocultura está espalhada por diversas regiões do estado, aproveitando subprodutos agrícolas, como farelo de soja, que barateiam a alimentação. As principais regiões incluem:
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Norte: Sorriso, Lucas do Rio Verde, Sinop e Alta Floresta lideram pela integração com a agricultura, usando sobras de grãos para alimentar os rebanhos.
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Oeste: Cáceres e Pontes e Lacerda têm tradição pecuária e mercados regionais próximos.
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Sudeste: Campo Verde, Primavera do Leste e Rondonópolis combinam caprinos com sistemas familiares e comerciais.
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Noroeste: Colniza e Juína crescem com a disponibilidade de terras e incentivos do programa MT Produtivo.
Raças e Sistemas
As raças Saanen (leite) e Boer (carne) são comuns em propriedades comerciais, enquanto raças nativas e cruzadas predominam entre pequenos produtores, valorizando a resistência ao calor. Sistemas semi-intensivos, com pastagens e suplementação, são frequentes, especialmente em Sorriso, onde a agricultura fornece insumos abundantes.
3. Sorriso: Um Novo Lar para os Caprinos
Sorriso, com sua vocação agrícola, está se tornando um polo promissor para a caprinocultura. Embora a pecuária bovina (34 milhões de cabeças em Mato Grosso em 2023) e a suinocultura (258,611 cabeças em Sorriso em 2024) dominem, os caprinos ganham espaço como uma atividade complementar, especialmente para pequenos produtores.
Dados de Sorriso
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Rebanho: Estimativas baseadas em relatórios da Ovinomat sugerem que Sorriso abriga entre 5.000 e 10.000 caprinos em 2025, um número modesto, mas em crescimento. O Indea-MT não divulga dados específicos por município, mas a cidade é reconhecida como um polo de ovinocaprinocultura.
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Produção: A caprinocultura local foca na carne, com destaque para cortes como paleta e costela, e no leite, usado em queijos artesanais. Subprodutos agrícolas, como farelo de soja, reduzem custos de ração, tornando a atividade viável.
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Apoio Técnico: O Senar-MT oferece cursos de manejo de caprinos, enquanto feiras agropecuárias, como a Exporriso, promovem a comercialização de produtos, conectando produtores a consumidores.
Histórias Locais
Pequenos produtores, como Dona Maria, de uma chácara nos arredores de Sorriso, contam como a caprinocultura mudou suas vidas: “Comecei com cinco cabras Saanen para fazer queijo para a família. Hoje, vendo para vizinhos e até para Cuiabá. O Senar me ensinou a cuidar melhor dos animais.” Histórias como essa mostram o impacto da atividade na renda familiar e na economia local.
4. O Papel do Indea-MT na Caprinocultura
O Indea-MT é o guardião da sanidade e da qualidade da caprinocultura, garantindo que os caprinos de Sorriso e outras regiões atendam aos padrões do mercado.
Ações Principais
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Atualização de Rebanhos: A campanha de 2025, realizada entre maio e junho, exigiu que produtores de Sorriso e todo o estado atualizassem o número de caprinos no Sistema Informatizado de Defesa Agropecuária (SINDESA). Foram registrados 109.900 estabelecimentos rurais, muitos com caprinos.
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Sanidade: O Indea-MT fiscaliza a vacinação contra brucelose, obrigatória para bezerras, e orienta sobre o uso de equipamentos de proteção durante o manejo, reduzindo riscos de zoonoses.
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Agroindústrias: Em 2024, o número de agroindústrias com registro sanitário cresceu 76,9%, incluindo unidades em Sorriso que processam queijos e embutidos caprinos, conforme as Portarias Conjuntas nº 16 e nº 21/2025, que regulamentam o Serviço de Inspeção Agroindustrial de Pequeno Porte (SIAPP/MT).
Fiscalização
A emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA) e o registro de marcas a fogo (Portaria nº 214/2022) garantem a rastreabilidade dos caprinos, essencial para o comércio seguro e a prevenção de abates clandestinos.
5. Desafios e Oportunidades em Sorriso
Desafios
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Escala de Produção: A caprinocultura em Sorriso é predominantemente familiar, com poucos abatedouros especializados, o que limita a expansão.
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Mercado Local: A demanda por carne e leite de cabra ainda é pequena, com a maioria dos produtos escoada para Cuiabá ou Sinop.
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Clima: Períodos de seca, como em 2024, exigem investimentos em pastagens irrigadas e suplementação.
Oportunidades
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Incentivos Fiscais: A Resolução nº 239/2025 facilita a comercialização, reduzindo custos para produtores de Sorriso.
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Mercado de Nicho: A demanda por queijos caprinos e cortes especiais cresce em centros urbanos, oferecendo oportunidades para agregar valor.
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Sustentabilidade: A caprinocultura requer menos área que a pecuária bovina, sendo ideal para integrar com a agricultura em sistemas como ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta).
Conclusão
Sorriso, a capital do agronegócio, está escrevendo um novo capítulo com a caprinocultura, transformando pequenas propriedades em fontes de renda e orgulho. Com o apoio do Indea-MT, incentivos fiscais e cursos do Senar-MT, os caprinos estão conquistando espaço ao lado da soja e do milho. Apesar dos desafios, como a necessidade de abatedouros e maior mercado consumidor, a cidade tem potencial para se tornar um modelo de diversificação rural, produzindo carne e leite de qualidade para Mato Grosso e além.
Referências:
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Indea-MT (2025). Campanha de Atualização de Estoque de Rebanhos.
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IMA-MT (2024). Dados de produtividade agropecuária.
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Ovinomat (2013). Dados de rebanho ovinocaprino.
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Sistema Famato (2025). Resolução nº 239/2025 – Incentivos fiscais para ovinocaprinocultura.
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CenárioMT (2025). Crescimento de agroindústrias em Mato Grosso.
