O setor avícola brasileiro vive um momento histórico. As exportações de ovos — tanto in natura quanto processados — registraram um crescimento impressionante de 216,3% em receita e 192,5% em volume no primeiro semestre de 2025, consolidando o Brasil como um dos principais fornecedores globais do produto.
Segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), entre janeiro e junho foram embarcadas 24.915 toneladas, contra apenas 8.518 toneladas no mesmo período de 2024. A receita gerada chegou a US$ 57,8 milhões, mais que o triplo do valor registrado no ano anterior.
Principais Destinos
O crescimento foi impulsionado por uma demanda internacional aquecida, especialmente dos Estados Unidos, que enfrentam escassez de ovos devido à gripe aviária. O país importou 15.202 toneladas, um salto de 1.247%, gerando US$ 33,1 milhões em receita — alta de 1.586%.
Outros mercados relevantes incluem:
- México: 1.586 toneladas e US$ 6,9 milhões
- Japão: 1.570 toneladas (+152%) e US$ 3,7 milhões (+143%)
- Angola: 686 toneladas e US$ 1,1 milhão
- Serra Leoa: 473 toneladas (+359%) e US$ 766 mil (+373%)
- Uruguai: 369 toneladas e US$ 1,24 milhão
- Chile: queda de 16,6% nos volumes, com 2.426 toneladas e US$ 6,85 milhões
Fatores que Explicam o Desempenho
- Crise sanitária internacional: surtos de gripe aviária em países produtores reduziram a oferta global.
- Sanidade e biossegurança brasileiras: o Brasil mantém status sanitário privilegiado, sem casos relevantes da doença.
- Capacidade produtiva e logística: o setor avícola nacional respondeu rapidamente à demanda, com estrutura para escalar produção.
- Qualidade e rastreabilidade: exigências internacionais foram atendidas com eficiência, reforçando a confiança no produto brasileiro.
Mercado Interno em Contraste
Apesar do desempenho externo, o mercado interno apresenta queda nos preços em várias regiões. O período de férias escolares redirecionou parte da produção para o consumo doméstico, aumentando a oferta e pressionando as cotações.
Perspectivas para o Segundo Semestre
A ABPA projeta manutenção do ritmo de crescimento, com novos mercados sendo prospectados na Europa, Oriente Médio e Ásia. A expectativa é que o Brasil ultrapasse a marca de 60 mil toneladas exportadas em 2025, sem comprometer o abastecimento interno, que representa menos de 1% da produção nacional.
Com esse desempenho, os ovos passam a ocupar um espaço estratégico na pauta de exportações do agronegócio brasileiro, ao lado da carne de frango e da soja. O Brasil se consolida como referência global em proteína animal, com potencial para ampliar ainda mais sua presença nos mercados internacionais.
