Impacto em cadeia: tensões no Irã pressionam agroexportações do Brasil por
petróleo e fertilizantes
Guerra no Irã pode comprometer competitividade das commodities brasileiras
A escalada das tensões no Oriente Médio, especialmente envolvendo o Irã, levanta
alertas para o agronegócio brasileiro. Especialistas alertam que um conflito na região
pode desencadear impactos significativos sobre a exportação de commodities do Brasil
— afetando desde os custos logísticos até a demanda internacional.
Petróleo em alta e logística pressionada
O Irã é um dos principais produtores globais de petróleo, e o Estreito de Ormuz, rota
crucial para o escoamento da commodity, está no centro da instabilidade. Qualquer
interrupção nesse corredor estratégico pode elevar abruptamente os preços do
petróleo, encarecendo o diesel — principal combustível utilizado no transporte
rodoviário brasileiro — e o frete marítimo. Com isso, os custos de produção e
exportação sobem, afetando a competitividade dos produtos brasileiros no cenário
global.
Fertilizantes em risco
Outro ponto sensível é a forte dependência do Brasil em relação à importação de
fertilizantes. Mais de 80% dos insumos utilizados no país são importados, sendo que
aproximadamente 17% da ureia brasileira, em 2024, veio do Irã. Com o avanço de
sanções ou bloqueios ao comércio persa, a oferta global pode ser comprometida,
pressionando os preços e impactando diretamente os custos da produção agrícola.
Incertezas no comércio e na demanda
Além dos custos, o conflito afeta as rotas comerciais. O aumento dos prêmios de
seguro, atrasos nos envios e a redução da demanda por parte de países compradores,
especialmente no próprio Oriente Médio, podem frear as exportações brasileiras de
alimentos como soja, milho, carne bovina e açúcar. A instabilidade cambial também
entra em cena: a valorização de moedas “porto seguro”, como o dólar, pode
desvalorizar o real, beneficiando as exportações, mas também encarecendo a
importação de insumos essenciais.
Cenário de alerta
Em um primeiro momento, alguns segmentos podem se beneficiar com a alta dos
preços de commodities como o próprio petróleo. No entanto, se o conflito for
duradouro, os efeitos colaterais tendem a ser mais prejudiciais que vantajosos para o
Brasil — tornando o panorama mais desafiador para o agronegócio e exigindo atenção
redobrada do setor exportador.
