Produtores da região norte de Mato Grosso, especialmente nos municípios de Sorriso, Sinop, Lucas do Rio Verde e Nova Mutum, estão enfrentando um cenário desafiador com a recente queda nos preços da soja e do milho, influenciada por fatores globais como a moderação da demanda chinesa e o aumento dos estoques internacionais.
Segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), o preço médio da saca de soja no estado caiu para R$ 110,64 em maio, enquanto o milho recuou para R$ 41,20, refletindo a menor competitividade no mercado externo. A China, principal compradora da soja brasileira, tem reduzido suas importações devido ao aumento dos estoques internos, que devem atingir 46 milhões de toneladas na safra 2024/25, segundo a Hedgepoint Global.
Além disso, políticas chinesas de autossuficiência alimentar e substituição de farelo de soja na ração animal têm diminuído a previsibilidade da demanda. Isso afeta diretamente os produtores do norte mato-grossense, que dependem da exportação para manter a rentabilidade, especialmente em um cenário de custos elevados com fertilizantes e logística.
No caso do milho, a situação é semelhante. A concorrência com os Estados Unidos e a Ucrânia, aliada à recuperação da produção argentina, tem pressionado os preços internacionais. A região norte de Mato Grosso, que responde por mais de 30% da produção estadual de milho, sente os impactos com a lentidão nas vendas da segunda safra, que ainda não atingiram 50% da comercialização esperada.
A expectativa dos analistas é de que o mercado continue volátil nas próximas semanas, com oscilações baseadas nas condições climáticas nos EUA e nas movimentações da demanda asiática.
Referências
1. Clima nos EUA e demanda chinesa moderada pressionam preços internacionais – Agrolink
2. Panorama de soja e oleaginosas para 2025 – Hedgepoint Global Markets
3. Alerta das vendas não reportadas e a demanda chinesa de soja e milho – Investing.com